Voltam as aulas, volta a ganância

Editoral de 22 dejaneiro de 2011 – página 8 – Diário de São Paulo – Acontece duas vezes por ano, no primeiro e no segundo semestres, quando terminam as férias escolares: o retorno às aulas coincide com o verdadeiro assalto que os pais de alunos sofrem nas papelarias, nos supermercados e noutras lojas que vendem material escolar. Vem sendo assim há décadas e não se vislumbra sinal nenhum de que haverá mudança nso próximos anos.

Não se trata de prática da lei da oferta e da procura, como alegam alguns comerciantes especializados. É ganância mesmo, quando o mesmo lápis preto número 2 é encontrado a 38 centavos, numa papelaria na Zona Norte, e a um real, numa papelaria da Zona Sul. É cobiça mesmo, quando as diferenças entre determinados itens de uma lista de material escolar chegam a 50% e até a 100%. Foi o que comprovou a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo (Procon-SP).

A reportagem de capa do Diário na quarta-feira, dia 19, registrou um outro tipo de abuso impingido a mães e pais de crianças em idade escolar: a inclusão, na lista, de rolos de papel higiênico e papel toalha e de pacotes de copos descartáveis. Muitas escolas particulares fazem esse pedido sem cabimento. Mais descabido ainda é quando mesmo mateiral extracurricular aparece nas listas encaminhadas aos pais de crianças de escolas públicas.

A reportagem ouviu a Secretaria Estadual de Educação, que desautoriza esse tipo de pedido e informa que as escolas da rede pública recebem Kits com todo o material escolar necessário e, por isso, não deveriam pedir mais nada aos pais doas alunos. No entanto, esse pedido é feito, como atestam os pais e mães entrevistados sem pedir anonimato – com a confirmaão de professores que pediram anonimato.

Não faz sentido generalizar. Existem escolas sérias, particulares e públicas, que não vão além do necessário em suas listas de material escolar. Mas também não faz sentido, aqui, contemporizar, pois é grande o número de escolas que pedem além do necessário. Outro problema é o das escolas que indicam a papelaria onde fazer as compras e as marcas do material a ser comprado. É evidente que se trata de cumplicidade. Proibida, por sinal.

Também é evidente que os comerciantes aproveitam a ocasião para explorar os pais das crianças. Uma vez mais, convém não generalizar, pois há os comerciantes honestos, que mantêm margens de lucro dentro do razoável. A reação possível é pesquisar, levar a lista a mais de uma papelaria, somar os preços e escolher a que apresentar orçamento mais justo. Há ainda a solução, recomendada pelo Procon, de os pais se juntarem para fazer compras coletivas,a preço de atacado. Vale tudo para escapar da ganância.

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