O BULLYING NÃO É BRINCADEIRA

A palavra bullying deriva do verbo inglês to bully e significa usar a superioridade física ou moral para intimidar alguém. Essa palavra tem sido adotada em vários países para definir todo tipo de comportamento agressivo, intencional e repetitivo inerente às relações interpessoais. As vítimas são os indivíduos considerados mais frágeis, transformados em objetos de diversão e prazer por meio de “brincadeiras” maldosas e intimidadoras. E quando a violência é feita virtualmente, contando com ajuda da internet ou celulares para disseminá-la, ganha o nome de cyberbullying.

Levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que quase 1/3 dos estudantes brasileiros afirma ter sofrido bullying alguma vez na vida escolar, sendo que o problema tem ocorrido, em maior proporção, nos colégios privados (35,9%) do que nos públicos (29,5%). Esse estudo faz parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2009 e foi realizada com alunos do nono ano do ensino fundamental das 26 capitais brasileiras e do Distrito Federal.

O tema é tão importante que está tramitando no Senado um projeto que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e propõe que os estabelecimentos de ensino sejam também responsáveis por promover um ambiente escolar seguro e adotar estratégias de prevenção e combate  as intimidações e agressões. Além disso, também sugere que o Ministério da Educação (MEC) coordene trabalhos para combater o bullying.

Esse é um fenômeno mundial e representa a violência moral velada, que também pode chegar a ser física e explícita – imposta por meio de comportamentos desequilibrados, socialmente inadequados, intimidadores e repetitivos de uma pessoa ou de um grupo contra uma mesma vítima. Estudos indicam que o bullying produz consequências graves, que vão desde problemas de aprendizagem até sérios transtornos de comportamento, responsáveis por índices de suicídios e homicídios entre estudantes.

É fundamental reconhecer que a vida humana está sendo banalizada e que está ocorrendo o distanciamento daquilo que é inerente e essencial à nossa natureza: relacionar-se. Sabe-se que os humanos não são espontaneamente generosos, respeitosos e solidários; então, essas virtudes devem ser rotineiramente aprendidas e exercitadas. E esse é um dos papéis da educação escolar: formar o sujeito social.

A escola é o primeiro contato dos pequenos com o âmbito público, sendo este um espaço plural por natureza. É nela que crianças e adolescentes conhecem um conjunto de valores muitas vezes diferentes daquele de sua família – o âmbito privado – e, assim, devem aprender a estar na coletividade de forma harmoniosa e democrática.

Combater o bullying não é tarefa impossível, mas exige atenção, tempo e diálogo. É preciso vencer a conformidade.

De início, é fundamental que toda a comunidade escolar – gestores, professores, funcionários em geral, alunos e pais – se conscientize de que o mundo tal como está  é produto humano e que somos todos responsáveis por ele.

No material do Agora Sistema de Ensino – o novo sistema de ensino da Editora Saraiva, voltado para as escolas públicas do Ensino Infantil ao Ensino Médio -, são trabalhados os temas transversais propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC). Assim, os  temas Ética, Trabalho e Consumo, Pluralidade Cultural, Meio Ambiente, Orientação Sexual e Saúde são debatidos por meio de textos e de atividades que possibilitam a reflexão e a análise de situações que nos cercam diariamente.

O material pretende contribuir para a formação ética dos alunos, com a construção e o aprimoramento de sua capacidade de observar, de analisar e de refletir diante das situações do dia a dia e, por fim, posicionar-se como alguém que pensa, atua e, se necessário, transforma a realidade.

Sendo assim, princípios essenciais para a prevenção do bullying, como o respeito, a solidariedade e a justiça, entre outros, fazem parte do trabalho feito em sala de aula. Mas não adianta somente pedir que os alunos desenhem a pomba da paz ou cantem uma música que fale sobre a paz, tampouco acreditar que dizer uma única vez “não bata” ou “não faça” seja suficiente. É fundamental que a escola seja um local de trabalho pautado em princípios éticos, em que todos vivam um ambiente democrático e se compreendam como responsáveis pelas relações estabelecidas na instituição e, assim, comprometam-se com a construção de uma sociedade mais justa e humanizada.

Artigo de Anitas Adas – Coordenadora Pedagógica da Divisão de Sistemas de Ensino da Editora Saraiva.

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