RECADINHO PARA GUSTAVO IOSCHPE – OPINIÃO DE ASSOCIADO

Um recadinho para Sr. Gustavo Ioschpe

A respeito do artigo publicado na Revista Veja recentemente, pelo economista Gustavo Ioschpe – “O amor constrói. Mas não ensina a tabuada” está esperando sua aprovação.

É muito fácil para o senhor Gustavo sentar sua bundinha na cadeira e escrever um monte de coisas sobre educação e pessoas que tentam fazer a diferença. Elas ao menos tentam, não apenas criticam. Mas é exatamente por isso que a educação, em nosso país, está dessa forma. Por pessoas, como o senhor, que pensam assim. Acredito que o senhor nunca esteve numa escola de periferia – de periferia mesmo – onde crianças vão para a ascola – não com o intuito de estudar – e sim, de comer, porque em casa não têm absolutamente nada.

Responda sr. Gustavo, em algum momento em sua vida, tentou estudar ou trabalhar de barriga vazia, com fome? Aposto que não. Essas crianças, já se sentem humilhadas e rejeitadas simplesmente por morarem em favelas ou por não terem uma roupa bonita ou um tênis bom. E o senhor acha que, na escola, o professor não tem que dar carinho, afeto e atenção? Acho que o senhor está totalmente equivocado em seu horroso texto, pois sabemos que, dentro de uma sala de aula existem os dois lados trabalhando juntos: afeto e carinho, com o aprendizado de matérias.

É claro que existem alunos que não aprendem, mas o sistema público não dá assistência aos alunos com problemas de aprendizado. Afinal de contas, onde o senhor acha que está, na Europa? Estamos falando de Brasil meu querido, onde os professores se desdobram, sim, para fazerem o que podem, tiram dinheiro do próprio bolso para compar material escolar porque escola não tem, e o governo não manda. Onde o professor, no meio de uma sala de aula com 40 alunos, em época dos famosos piolhos, compra remédio, também do próprio bolso, para passar nessas crianças, porque isso faz parte da saúde e higiene delas. E, jamais, um professor consciente deixa esse tipo de coisa passar em branco.

No mínimo o senhor cresceu em berço de ouro e, se não cresceu, fala como se tivesse vindo de lá. Mas, a nossa realidade é outra, bem diferente. Não critique quem o senhor não conhece e quem tem a esperança de uma educação melhor. Queremos nossas crianças crescendo mais humanas, que pensem no próximo e que tenham bons sentimentos em relação ao outro.

Aprender matemática e trigonometria de nada adianta se formos pessoas estúpidas, arrogantes e individualistas. Acho que o senhor precisa rever seus conceitos e dar uma volta por esse Brasil, onde os professores, sim, são os heróis. Mas visite escolas de verdade, da periferia, do sertão. Não queira ir a colégio de alto padrão que, no mínimo, foi onde o senhor estudou.

Comentário da professora Dalianna Britto  associada do Centro do Professorado Paulista (CPP) – email: daliannabritto@yahoo.com.br.

SECOM/CPP

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