BULLYING: A VIOLÊNCIA MORAL QUE ASSOMBRA A ESCOLA

O bullying nas escolas é algo sério e deve se tratado como tal.
O tema é obrigatório. Bullying, em inglês, equivale a todo o tipo de preconceito, discriminação e violência entre crianças e adolescentes. Atinge todas as classes sociais. Estudos mundiais revelam que de 5% a 35% dos alunos estão envolvidos nesse tipo de ato agressivo, intencional e repetitivo. No Brasil, os índices chegam a 49%. Diante disso, a Secretaria de Comunicação (SECOM), do Centro do Professorado Paulista (CPP), foi buscar especialistas na área para falar a respeito.

Tudo começa como uma brincadeira, uma pequena piada de mau gosto na sala de aula. Entretanto, as ações de violências intencionalmente repetidas, físicas ou psicológicas, podem deixar profundas marcas em suas vítimas. Para Christiane Serpa, psicóloga e especialista em atender adolescentes com diversos problemas, o bullying é uma violência moral que acontece no mundo inteiro.

Em abril deste ano, foi divulgada uma pesquisa realizada pela Plan/Brasil para mapear as tendências da violência escolar. Os resultados são surpreendentes. A pesquisa, que entrevistou mais de 5 mil estudantes, constatou que o bullying é praticado principalmente por meninos na faixa de 11 a 15 anos de idade. Mais de 34,5% dos meninos admitiram que sofreram maus-tratos em 2009, sendo 12,5% vítimas de bullying. A maior consequência foi a perda de interesse pelos estudos, uma vez que os alunos não se sentem mais motivados a frequentar as aulas. Mas, como diferenciar uma brincadeira de uma agressão? A psicóloga esclarece que é difícil identificar. Por isso, na dúvida, o melhor é comunicar aos pais para que prestem atenção no comportamento. Em sala de aula é preciso notar se o aluno se torna tímido, com dificuldade de aprendizagem.

Felipe Pietrantonio, 21 anos, estudante de jornalismo no Paraná, sempre foi uma criança diferente na escola e, por isso, foi vítima de maus-tratos dos colegas. Assim, o estudante desenvolveu patologias como síndrome do pânico e depressão. Embora tenha superado as brincadeiras, Felipe jamais pôde esquecê-las. Tímida, e com olhar cabisbaixo, a adolescente Andressa Coelho revela ter sofrido bullying por diversas vezes e define-o “como tudo de ruim”.

Com os avanços da tecnologia, esse constrangimento saiu das escolas, ganhou força e partiu para internet onde recebeu o nome de “Cyberbullying” com o único propósito de humilhar suas vítimas.

Em julho deste ano, foi divulgado um caso inédito, no Rio Grande do Sul, onde a vítima de Cyberbullying entrou com uma ação contra os pais do agressor, por ser menor de idade, e contra o provedor da internet, por não ter retirado o conteúdo humilhante do ar.

O especialista em Cyberbullying, Dr. Marco Antonio Florêncio Filho, vice-presidente da Comissão dos Crimes de Alta Tecnologia da OAB, esclarece que os agressores normalmente criam um perfil falso em sites de relacionamentos, fazendo-se passar por outra pessoa ao adotar apelidos diversos para disseminar intrigas.
Chegam a criar blogs só para ridicularizar suas vítimas. Os sites de relacionamentos são usados para promover ataques vexatórios com o intuito sórdido de excluir os agredidos dessas comunidades virtuais. Comentários racistas, preconceituosos e sexistas são feitos de forma desrespeitosa e, por vezes, acompanhados por fotografias alteradas das vítimas em montagens bizarras. Esclarece ainda que as vítimas de cyberbullying podem atrair pessoas inescrupulosas que, no mundo real, utilizam suas imagens como mercadoria a fim de alimentar a indústria da pornografia e da pedofilia. E, para finalizar, o Dr. Marco Antonio alerta para que a direção da escola monitore os computadores a fim de que a escola não seja prejudicada por meio de atos praticados pelos alunos ou por terceiros que, porventura, utilizem as máquinas.

A prática do bullying deve ser combatida precocemente. Para isso, é preciso que professores estejam atentos aos primeiros sinais. O estímulo para atividades em grupo pode ser uma solução. “Acredito que, infelizmente, todos os professores já vivenciaram experiências caracterizadas como bullying. A prática existe em todas as faixas etárias e em todas as classes sociais”, disse a professora Elaine Geroldo, do colégio Santa Maria, da Capital.” Quando um aluno é questionado e fica com medo de se manifestar, certamente é porque teme ser agredido e, assim, vai se tornando cada vez mais reprimido”, opina a professora Marta Visconde.

Assista ao vídeo

SECOM/CPP

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