PROFESSOR: UMA PROFISSÃO DESVALORIZADA

PROFESSOR: UMA PROFISSÃO DESVALORIZADA
Pesquisa revela um quadro preocupante: apenas 2% dos jovens querem seguir o magistério

O sonho de se tornar professor é cada vez menos comum. Uma pesquisa realizada pela Fundação Carlos Chagas constatou que apenas 2% dos estudantes do ensino médio têm interesse, situação essa que vem sendo discutida pelo Centro do Professorado Paulista há muito tempo. “O desrespeito aos educadores, pelos governantes, está afastando futuros professores”, lamenta o presidente do CPP, professor José Maria Cancelliero.

Trata-se de uma profissão desrespeitada por todos – a começar pelos gestores públicos. Por isso, vemos a necessidade de uma mudança política no processo de valorização da educação e dos educadores. O estudo mostra que a profissão está em baixa. Para os estudantes, não faltam razões para isso. Quando se pergunta a um jovem se quer seguir a carreira, a resposta é um “NÃO”, sem nenhum constrangimento. Estudantes entrevistados pela Secretaria de Comunicação do CPP (SECOM), no colégio Etapa, esclarecem porque não querem ser professor: Fábio Rodrigues, 17 anos, de imediato, diz: “paga-se muito mal”. Giovanna Lima, 18 anos, de cara, enfatiza: “o salário não vale a pena e a profissão não é mais respeitada como antigamente. Já Raquel de Souza, de 18 anos, declara que sua mãe foi professora por quatro anos e desistiu. Revela, também, que um dos maiores problemas é o desrespeito em sala de aula, além do salário desanimador.

Bernardete Gatti, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas e coordenadora do estudo sobre as principais razões da falta de interesse pelo magistério destaca a consciência dos jovens acerca dos problemas educacionais no Brasil. Segundo ela, a profissão docente não oferece uma carreira, não tem um salário inicial atraente, além de não dispor de perspectiva de progressão.

Diante deste quadro preocupante, a repercussão da falta de uma nova geração de professores já começa a ser sentida. O Brasil já experimenta as consequências do baixo interesse pela docência. Para Mary Rosane, Coordenadora do Curso de Pedagogia do Mackenzie, sem dúvida, o interesse pela profissão diminuiu devido à forma como a mídia trata a desvalorização do professor. Remuneração é um fator desestimulante, pois os educadores hoje amargam as piores médias salariais em relação a outros profissionais. Vários fatores dificultam o trabalho nas escolas, sobretudo nas escolas públicas, que vão desde a falta de material até a agressão física ou psicológica aos educadores.

Segundo estimativa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apenas no Ensino Médio e nas séries finais do Ensino Fundamental, o déficit de professores com formação adequada chega a 710 mil. E não se trata de falta de vagas. “A queda da procura tem sido imensa. Entre 2001 e 2006, houve o crescimento de 65% no número de cursos de licenciatura. As matrículas, porém, expandiram-se apenas 39%”, afirma a coordenadora Bernadete. De acordo com os dados do Censo da Educação Superior de 2009, o índice de vagas ociosas chega a 5% do total oferecido em cursos de Pedagogia e de formação de professores.

Nas escolas públicas, a Pedagogia aparece no 16º lugar das preferências. Nas particulares, apenas no 36º. A diferença também é grande quando se consideram alguns cursos de disciplinas da Escola Básica. Educação Física, por exemplo, surge em 5º nas públicas e 17º nas particulares.

É importante deixar claro que essa insatisfação não é geral. Ainda há o comprometimento com a educação. Podemos tomar por exemplo, a professora Juliana Cardoso, que leciona Educação Artística, no município de Mauá, na Grande São Paulo. Em meio às dificuldades, ainda encontra prazer em dar aula em escola pública. Serena, ela diz que há vários lados bons: revela que quando propõe um projeto em sala de aula e, com o passar dos meses, vê que conseguiu mudar a vida do educando, reconhece o valor do seu esforço. “Isso é algo que não tem preço – é a realização do meu trabalho”, diz, sorrindo.
O importante, como educador, é acreditar no potencial de aprendizagem pessoal, na capacidade de evoluir, de integrar sempre novas experiências e dimensões do cotidiano.

Assista ao vídeo

SECOM/CPP

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