O READAPTADO – HEROI OU VILÃO?

Artigo  do  PROF. SILVIO DOS SANTOS MARTINS É SUPERVISOR DE ENSINO, APOSENTADO, CONSELHEIRO E 3 VICE-PRESIDENTE DO CPP, E DIRETOR DA SEDE REGIONAL REGIONAL DA ENTIDADE, EM TUPÃ
O READAPTADO – HEROI OU VILÃO?
As jornadas de trabalho dos professores das unidades escolares estaduais são extremamente desgastantes. O que mais desgasta, porém, não é o tempo que o professor utiliza para ministrar ou preparar as suas aulas. São as classes com grande número de alunos, a indisciplina muitas vezes reinante, o descaso das autoridades que não completam os módulos das escolas, enfim, o ambiente em que o nosso mestre desenvolve o seu trabalho.

Alguns professores, depois de militarem por muito tempo nesse ambiente, acabam sucumbindo, com a saúde prejudicada, adquirindo fobias, comprometendo seu físico com morbidades que minam a sua resistência. Após ter sua condição física ou mental prejudicada, esses professores, por solicitação própria ou do seu superior imediato, passam por perícia médica e são readaptados. Deixam a sala de aula e assumem funções que sua saúde permita exercer.

Começa neste momento a sua “via crucis”.

A readaptação dos professores, de maneira geral, tem sido permitida pelo tempo máximo de dois anos, sendo que ao final deste tempo, o professor é reavaliado, podendo, se sua condição de saúde permitir, retomar as atividades normais.

Durante o tempo em que permanece readaptado, sua classe ou suas aulas, são consideradas livres e, consequentemente, oferecidas no processo normal de atribuição. Também neste espaço de tempo, ao professor readaptado, não é permitido alterar sua carga horária, e muito menos concorrer à remoção.

Enquanto readaptado, o tempo de exercício não será considerado para efeito de classificação no processo de remoção ou de atribuição de classes ou aulas, e também não tem sido respeitado pelo Governo para efeito da aposentadoria especial, quando ao professor são atribuídas atividades estranhas às funções do magistério.

Se ao final de dois anos tiver sua condição de readaptado cessada, ficará como um pária em nosso sistema. Se for um titular de cargo poderá ser removido, “ex-officio”, para qualquer unidade de sua Diretoria de Ensino, comprometendo ainda mais sua situação funcional. Se for um professor ocupante de função-atividade, provavelmente ficará sem classe para reger ou sem aula para ministrar.

A legislação que rege o readaptado tem que ser, urgentemente, revista, dando ao professor, nesta situação, a possibilidade de alteração de sua carga horária, permitindo que o mesmo possa concorrer à remoção e, mais do que isso, fazendo com que o mesmo sinta-se como um professor, o que, na verdade, nunca deixou de ser.

Temos, todos nós, que olhar com mais carinho e respeito para o mestre readaptado, já que, na maioria das vezes, seus problemas de saúde começaram com o trabalho que ele desenvolveu em nossas escolas, ensinando as nossas crianças, desdobrando-se para tornar o Brasil um país melhor.

O governo do Estado não pode continuar a tratar o professor readaptado como o vilão da história, simplesmente colocando-o de lado como vem fazendo, não reconhecendo seu valor e a sua história de dedicação aos alunos e à nossa escola.

Por tudo o que acontece com o professor readaptado, conhecendo os seus problemas e as agruras por que passa diariamente, chegamos à seguinte conclusão: o Readaptado é um heroi. O Vilão da história todos sabem muito bem quem é.

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