MEIA VERDADE É SEMPRE UMA MENTIRA INTEIRA

Ponto de Vista do Professor José Maria Cancelliero – presidente do Centro do Professorado Paulista – CPP
A falácia acerca dos salários dos professores

A mídia não se poupa em apregoar que o salário dos professores da rede pública melhorou. Porém, se desnudarmos a questão, veremos que isso não passa de uma descabida falácia.

Deslize os olhos na mais recente pesquisa da UNESCO, realizada num total de 38 países desenvolvidos e em desenvolvimento, e veja que não só o professor brasileiro recebe o terceiro pior salário do planeta, como possui as turmas com o maior número de alunos. Este estudo indica que a relação no Brasil é de 29 alunos, em sala de aula, para cada professor. Na Dinamarca, acredite, é de dez pra um.

Então, encarar a questão do salário do professor da rede pública segundo o otimismo dos veículos de comunicação é, no mínimo, arriscado.

É quase impossível não compararmos os salários dos nossos colegas. Na Alemanha, por exemplo, um professor com a mesma experiência de um brasileiro ganha, em média, US$ 30 mil por ano. Após trabalhar mais de 15 anos, o professor brasileiro chega, no máximo, a US$ 10 mil por ano. Em Portugal, o salário anual chega a US$ 50 mil, o mesmo dos nossos colegas suíços. Nossos vizinhos argentinos recebem US$ 9.857 por volta de R$ 22 mil, exatamente o dobro que a gente. Anualmente, o professor brasileiro, em início de carreira recebe, em média, US$ 4.818, o equivalente a R$ 11 mil. O mundo sabe disso.

É melancólico. Porém, diante dos baixos salários oferecidos aos professores é fácil entender por que poucos jovens acabam seguindo a carreira do magistério, no Brasil. O problema é que os estudantes com alto nível, na maioria nascidos em classe social privilegiada, buscam melhores salários em áreas mais atraentes. O próprio MEC admite que os alunos têm chegado à faculdade com imensas deficiências de aprendizado. Não é difícil notar que a estabilidade de emprego, sem dúvida alguma, representa uma isca às classes populares.

De acordo com o consultor em educação da Unesco no Brasil, Célio da Cunha, sem professores bem formados e com uma remuneração digna não será possível atingir a qualidade que o Brasil precisa para a educação básica. “Isso coloca em risco o futuro do país, por conta da importância que a educação tem em um mundo altamente competitivo e em uma sociedade globalizada.”

Então, é bom ficarmos de olho. William Shekespeare, um sujeito que sabia definir as relações humanas como ninguém, conclui que “o diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém.” Assim, se o governo se vale da maquiagem dos fatos para lançar manchetes adocicadas só para atender aos seus duvidosos interesses marqueteiros, isso não altera absolutamente em nada a realidade financeira dos professores de nossa terra. E, se valer da imobilidade e da falta de opção destes profissionais, convenhamos, é desbrio, uma vil covardia que compromete, não só a estrutura de suas famílias, mas a hombridade de todo o País.

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