Educação que temos e que queremos

Artigo de Dirceu Cardoso Gonçalves é tenente e dirigente da Aspomil (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de SP) –  publicado no Diário do Grande ABC – 11-07-2010- pág.2 – O País viu o governo, inclusive o presidente da República, festejando, nos últimos dias, bons índices de desempenho do ensino, apurados segundo o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2009. Segundo a pesquisa que orienta o índice, nossos estudantes de primeiro grau chegaram a 4,6 pontos, que eram previstos só para 2011, e os de segundo grau bateram quatro pontos, superando a meta de 2011, traçada para 3,9. O Ministério da Educação trabalha para chegar a 2022 com aproveitamento da ordem de seis pontos.

É compreensível que autoridades festejem o alcance de metas além do estabelecido. Mas ainda é inaceitável o quadro encontrado na maioria das escolas, onde o aluno passa todo o período, sequer é alfabetizado e, mesmo assim, sai com diploma, sem saber o que dele fazer. Educação é um dos retratos do inchaço a que o País foi submetido a título de desenvolvimento. Durante anos, a política pública se preocupou exclusivamente em produzir número de formados sem qualquer questionamento sobre o destino desses estudantes.

Saímos daquele tempo em que o professor era respeitado e tinha o compromisso de transmitir conhecimentos reais aos alunos. Ingressamos na era em que o professor é desvalorizado e há a promoção do aluno de uma série para outra, independente do seu aproveitamento. Acabaram-se os exames, as segundas épocas e outras preocupações, pois o aluno ficou sabendo que basta comparecer à escola para ter garantida a promoção à série seguinte. E esse ‘alunado’ acabou constituindo a grande massa que hoje está no mercado de trabalho, como professores! Foi um verdadeiro crime de lesa-Educação-nacional.

Por conta do seu desenvolvimento tecnológico e industrial, o Brasil necessitou, cada dia mais, de trabalhadores ‘estudados’. Mas não foi capaz de adaptar a sua estrutura de ensino para oferecer a devida Educação a essa clientela.

Em vez de festejar, as autoridades deveriam se preocupar em investir mais para recuperar o tempo perdido, valorizar o professor, aperfeiçoar currículos e respeitar os alunos. É bem verdade que, se os índices são ascendentes, como mostra a pesquisa, pelo menos estamos no caminho certo. Mas é preciso correr a velocidades muito maiores do que as atualmente verificadas. O Brasil tem pressa e a geração mal formada tem fome. O governo e a sociedade precisam ver isso. Acorda, Brasil!

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