O IDEB REFLETE A DEBILIDADE DA EDUCAÇÃO

Ponto de vista do professor José Maria Cancelliero – presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP)

O Jornalista André Forastieri, do R7 , fez o seguinte levantamento acerca do gasto público: o orçamento do Trem-Bala São Paulo – Rio, é de R$ 34,6 bilhões. Para preparar o Brasil para a Copa de 2014, estão previstos R$ 11 bilhões. Para o Rio sediar as Olimpíadas de 2016, o Brasil ofereceu R$ 25,9 bilhões.

Entretanto, no Ministério da Educaão, o orçamento deste ano foi limitado a R$ 21, 1 bilhões.

Uma questão de valores – de prioridades, sem dúvida alguma.

No primeiro dia de julho, o Ideb  (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) – referência como qualificador da educação pública brasileira – exibiu os números que atestam que ainda há um grande caminho para que o nosso povo disponha de um ensino com a excelência de qualidade que merece.

O índice é de 2009 e revela a incômoda situação representada por um expressivo número de escolas e municípios com desempenho muito aquém do necessário além do incomensurável desafio que é reverter este quadro.

Nos cinco primeiros anos do ensino fundamental, as notas cresceram de 4,2 para 4,6, uma melhoria de 9,5% em relação a 2007. Do sexto ao nono ano do mesmo nível de ensino – a pontuação passou de 3,8 em 2007  para 4 no ano passado. Isso equivale a um crescimento de 5,2% na nota.

Vale lembrar que o índice que é formado pela combinação da nota dos alunos na Prova Brasil e no Saeb, com o rendimento escolar destes alunos, medido pelo Censo Escolar e refeito a cada dois anos.

As metas do governo federal para os dois grupos do ensino fundamental no Ideb eram de 4,2 e 3,7 pontos, respectivamente. O nível médio, desaponta ainda mais. Segundo o Ideb, a nota das redes de ensino subiu de 3,5 para irrisórios 3,6.

O otimismo do ministro da Educaão, Fernando Haddad, permite que fique surpreso e satisfeito com os resultados.

A atenção do seu ministério debruçou-se nos municípios com notas inferiores a 4,2 em 2007 e nas 28 mil escolas com notas até 3,8 no mesmo ano. A partir de então, mais de R$ 400 milhões foram liberados para o apoio às escolas. No entanto, mesmo recebendo um auxílio financeiro e técnico, pouco mais da metade dos piores municípios conseguiu melhorar a qualidade no intervalo de dois anos, entre as duas últimas edições do Ideb – 2007 e 2009.

Frente a pífios resultados, insistimos na inegável necessidade do governo investir em educação de forma responsável, que a verba pública seja usada de forma consciente para que o ensino chegue à população por meios responsáveis e justos.

Não estou aqui a fazer a análise com a profundidade que o assunto merece. No entanto, não é difícil concluir que a qualificação da escola pública, ansiosamente esperada, ainda se mantém distante. Para finalizar, chamo a atenção para o professor, dono das mais variadas adversidades, que ainda se rende à amargura em ser publicamente julgado e, não raras vezes, injustamente condenado por falta de competência e de esforço.

Enquanto não chegamos ao objetivo, ficamos a ouvir discursos adoçados com promessas políticas assistindo a violência pular o portão, a ponto de desconstituir por completo a autoridade dos profissionais da educação e instigar a evasão escolar.

Ainda assim, diante de índices decepcionantes, nós, que lutamos pela qualificação da educação brasileira, não podemos recuar. Insistiremos em impedir que as reais causas da pobreza e da exclusão sejam camufladas, e a ausência de uma política educacional estruturada continue maquiavelicamente, disfarçada.

Professor deixe seu comentário a respeito do assunto.

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