Aulas para preservar

Fonte: Revista IstoÉ-16/06/2010- Projetos de educação ambiental chegam a comunidades pacificadas do Rio e ajudam na concepção de parque na Rocinha

Informar para educar e preservar. O lema que orientou a criação, em 2007, do centro cultural Encontro das Águas não está sendo aplicado apenas neste espaço privilegiado da capital, localizado na Lagoa Rodrigo de Freitas, cartão postal do Rio, e aberto a estudantes, professores e interessados em obter informações atualizadas sobre a saúde do planeta.

Cursos sobre monitoramento ambiental já funcionam nas comunidades cariocas onde estão instaladas as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), como na Providência, no Santa Marta e na Maré. No Santa Marta, em Botafogo, na zona sul da capital fluminense, estão a cargo do Batalhão de Polícia Florestal. No passado, o órgão era chamado apenas para patrulhar e garantir a segurança aos agentes públicos que construíam as barreiras ecológicas – muros que protegem as áreas verdes, geralmente partes das florestas urbanas, da expansão horizontal das comunidades. Atualmente, o batalhão mostra que os moradores não devem só preservar, mas saber usufruir das áreas florestais. No Santa Marta, os ecolimites foram edificados. Agora, eles estão sendo construídos na Rocinha, na Chácara do Céu e no Parque da Pedra Branca.

Na comunidade da Rocinha, a educação ambiental rende mudanças na qualidade de vida dos habitantes. Para melhor. O imaginário de crianças, adolescentes e adultos, expresso por meio de desenhos, está se tornando realidade na construção do Parque Ecológico, no alto da montanha escravada na zona sul do Rio de Janeiro.

Nada menos do que 90% dos desejos dos moradores fazem parte das instalações distribuídas em 8.000 m2 e 700 metros de extensão junto à Floresta da Tijuca. O local terá sua preservação assegurada justamente com a edificação do parque e dos ecolimites – um muro para proteger as áreas verdes que se estenderá por 2,4 Km de extensão.

O conjunto de obras, com orçamento de R$ 21 milhões originários do Fecam (Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano), tem coordenação da Emop (Empresa de Obras Públicas do Estado) e está perto da fase de conclusão.

Já podem ser vistos na Rocinha a quadra poliesportiva, o café do bosque, as churrasqueiras e o bosque infantil.

O parque contará ainda com uma praça destinada à terceira idade, àreas de ginástica, setor de cultura nordestina, ciclovias, além de um Ecocentro. Neste edifício, haverá biblioteca com computadores, sala de conferência, local para aulas de educação ambiental – parte fundamental do projeto – e um anfietro. Tudo isso idealizado e escolhido pela própria comunidade.

Todas as ideias para a área verde de lazer saíram de encontros nas Oficinas do Imaginário, projeto implementado pela Emop para urbanizar a comunidade ouvindo as pessoas que vão mais usufruir do local. Cerca de cem casas precisaram de remoção para que o parque fosse erguido. Materiais reciclados, como laminados de garrafa e asfalto de pneus, serão utilizados em locais estratégicos. Cuidados que também não podem faltar na realização de um projeto ecológico.

Conscientização vai da Lagoa a todo o Estado – O centro cultural Encontro das Àguas, que fica na Lagoa Rodrigo de Freitas, coração da zona sul do Rio, provém informações a profissionais do ensino e a moradores do município sobre a saúde ambiental da cidade e sustentabilidade. Painéis, vídeos, peças de teatro, exposições fotográficas, visitas guiadas e até um passeio de barco pela Lagoa são opções à disposição dos visitantes. Levar essa nova forma de educação ambiental a todos os municípios e públicos do Estado, seja por meio de escolas, centros comunitários ou projetos sociais, é uma das missões do governo. Coordenados quase sempre pela SEA (Secretaria de Estado do Ambiente), idealizadora do Encontro das Águas, os programas de conscientização estão na pauta das pastas de Segurança, Obras, Agricultura, além de Educação, tradicional parceira do setor. Os projetos são executados sempre de forma integrada, privilegiando a realidade de cada grupo social. Ações de educação ambiental foram planejadas pela SEA, por exemplo, para os beneficiários do projeto Iguaçu, na Baixada Fluminense, que remanejará populações ribeirinhas para habitações construídas segundo conceitos ecológicos. É preciso que os moradores conheçam essas inovações para que possam aproveitá-las integralmente. O grupo será incentivado também a praticar diariamente condutas ambientalmente corretas.

Outro projeto interessante direciona-se aos vizinhos das unidades de conversação do Estado. A ideia é transformar as pessoas em aliados dos gestores dos parques, destacando a importância do respeito às regras de preservação da natureza. Cursos também são oferecidos às comunidades rurais que ficam no entorno do Parque do Guandu e aos moradores das regiões Norte e Noroeste que participam do projeto Rio Rural.

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