Uma geração que cansou de fazer papel de palhaço

Revista Época – 7-06-2010-pág.8 – O peso do Estado sobre a sociedade é talvez o principal entrave ao desenvolvimento do Brasil. Nada mais absurdo, portanto, que a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada, em defesa da nossa alta carga de impostos.

O objetivo dos impostos é custear os serviços que o governo deveria nos prestar. Em troca deles, porém, recebemos saúde de baixa qualidade, educação sofrível, falta de segurança e uma ineficiência paquidérmica, colossal e aparentemente inamovível da máquina pública. É rídiculo afirmar que os impostos são necessários para manter os programas sociais e reduzir a desigualdade. Ao contrário, seu peso é maior sobre os mais pobres. Eles também são o maior empecilho à criação de novos negócios e novos empregos. Os impostos, portanto, empobrecem e geram mais miséria.

Apesar desses fatos evidentes, a cada ano pagamos mais impostos. Em 2010, mais de R$ 500 bilhões já foram para os cofres públicos – e atingimos a marca 22 dias antes do ano passado. Por que, então, não há mais revolta contra isso? Talvez porque o povo ignore quanto imposto paga. A Constituição determina que o valor dos impostos  seja expresso no preço de todo produto, como em outros países. Mas a lei que regulamenta essa determinação está parada no Congresso. É crucial aprová-la.

Elegemos, em nossa capa há duas semanas, um símbolo para representar nossa revolta contra os impostos: o nariz de palhaço. Ele traduz nossa sensação de impotência diante da inépcia de nossos representantes para lidar com a questão. A partir desta edição, esse símbolo acompanhará toda reportagem que publicarmos sobre o tema. E continuaremos lutando, por meio do melhor jornalismo que pudermos fazer, para reduzir a escandalosa carga tributária brasileira.

A prova de que estamos no caminho certo é o reconhecimento que esse jornalismo tem recebido. Na semana passada, dois jornalistas de Época ganharam prêmios por sua atuação em defesa da livre-iniciativa e das liberdades individuais. O repórter de economia Thiago Cid venceu o 8o Grande Prêmio Sebrae de Jornalismo,  com uma reportagem de capa sobre os empreendedores da classe C publicada em novembro de 2009. E a repórter de política Mariana Sanches foi classificado em primeiro lugar no Programa Jornalista de Visão, uma iniciativa do Instituto Millenium e do Instituto Ling que busca premiar jovens jornalistas que se destacam na defesa da democracia, da economia de mercado e da liberdade.

Mariana e Thiago representam uma nova e talentosa geração de brasileiros que, graças a seu esforço inidividual, está cansada de fazer papel de palhaço. É nessa geração que acreditamos em Época – e é nela que apostamos para construir um Brasil não apenas com menos impostos, mas com mais democracia e mais liberdade.

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