Biblioteca nas escolas: essa lei sai ou não sai do papel?

Ponto de Vista do Professor Silvio dos Santos Martins – 3o vice-presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP)

Acabamos de ver o presidente Lula sancionar a lei que torna obrigatória a instalação de bibliotecas em todas as escolas do país, públicas e particulares. Então, cada biblioteca deverá ter, no mínimo, um título para cada aluno matriculado. Contudo, para cumprí-la, o Brasil terá de construir ao menos 25 bibliotecas por dia. A meta deve ser atingida em 2020.

É um desafio e tanto. Ninguém há de contestar que a aprovação da lei é um avanço e, tampouco que os obstáculos a serem vencidos não serão pequenos.

O presisente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Franklin de Leão, explicou que, para o Brasil construir 93 mil bibliotecas, em 10 anos, é preciso que se invista 10% do PIB do país, em educação. Atualmente, apenas 4,5% das nossas riquezas são aplicados nesta área.

Outro problema é a formação dos especialistas na área. Hoje, contamos com 20 mil bibliotecários em nosso país. Isto é, apenas 10% do que realmente precisamos.

É, sem dúvida, um projeto ousado. Mas a educação brasileira precisa de atitudes que melhore a sua qualificação. A equação é lógica: para que funcione, é imprescindível que haja um esforço integrado entre municípios e estados e lugares convenientes com profissionais habilitados para abrir estas bibliotecas.

Segundo a “Folha de São Paulo, o déficit de bibliotecas, no ensino fundamental, é de 93 mil. Desse total, 89,7 mil são escolas públicas e 3,9 mil, estabelecimentos privados de ensino. A melhor situação é a do ensino médio, etapa em que o número de escolas sem biblioteca é de 3.471.

A Folha menciona, ainda, a falta de visão do Brasil sobre a importância da biblioteca. “No mundo, todas as bibliotecas são doadas por mantenedores que têm uma alegria imensa de poder doar um acervo”, cita luiz Norberto, do Comitê Gestor do Todos Pela Educação.

Veja só que Bill Gates, o genial magnata da informática, disse a respeito da insubstituível importância dos livros: “Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a sua própria história.”

Seja como for, é necessário darmos a merecida atenção à aplicação desta lei, pois são imensuráveis os ganhos que o acesso à leitura trará ao País.

De fato, a iniciativa, se bem executada, é um bom passo para que o povo chegue à luz da cultura de forma democrática. Porém, para sair do papel, imperativo adequar-se convenientemente às primícias da nossa educação.

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