ROBIN HOOD, OS IMPOSTOS E A COPA

Hollywood despeja a mais recente versão do herói da floresta de Sherwood. Na aventura do século 12 Robin retorna das Cruzadas e encontra uma Inglaterra corrompida. Quando chega a Nottingham, vê uma cidade oprimida por altos impostos e devaneios do xerife local.

Para a Inglaterra dar a volta por cima foi preciso um valente. Não foram poucas as lutas, mas, como sabemos, conseguiu se desvencilhar  das garras das ambições dos que manejavam os desenfreados tributos.

Como no épico, o brasileiro se vê diante de um caos tributário. Dá para dimensionar as taxas embutidas e encarar o ICMS com equilíbrio de força? De que jeito o cidadão se conscientizará se, ao menos sabe onde está o seu algoz?

Não por acaso, o Brasil faz jus a fama como um dos campeões da desigualdade social em todo mundo.

O fato é que neste ano, o brasileiro, terá que trabalhar, em média 148 dias e utilizar 40,54% da sua renda só para pagar seus impostos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Significa dizer que, de cada 1 mil reais do trabalhador, 400 vão direto para os cofres públicos.

E não retornam em forma de serviços à população, como deveria. Uma afornta às famílias, às empresas e ao desenvolvimento econômico.

Se olharmos para a nossa vizinhança, vemos que a carga é bem mais leve: na Argentina e Chile, por exemplo, são 97 e 92 dias, respectivamente. No México, 91 dias; e nos Estados Unidos, são 102 dedicados a pagar impostos.

Neste ranking, somos praticamente imbatíveis. Impressionantes são os números que atestam o quão distante os interesses dos gestores econômicos estão das necessidades do nosso povo.

Há poucos dias da Copa, nem a nossa prioridade nacional em assistir a seleção canarinho escapou do flagelo tributário.

Segundo o próprio IBPT, houve um aumento de 6 pontos nos tributos que recaem sobre televisores, entre a Copa anterior e a de agora. Em outras palavras: em 2006, o consumidor desembolsava 38,4% do preço da televisão em imposto – agora, são surrupiadas absurdos 44,94%.

Enfim, temos um sistema suicida com requintes de perversidade, onde o brasileiro se vê abandonado e bem distante de uma reforma tributária com soluções cabíveis. O cenário é o mesmo das aventuras do século 12. Os abusos, idem. Resta-nos aguardar o mocinho da história. Cadê o nosso herói? Quando é que ele entra em cena?

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