No ano, 13 secretários de Educação deixaram cargo

Fonte: Redação em São Paulo-15-05-2010- informações Todos Pela Educação UOL Educação – De 2007 até abril de 2010, o país teve 62 secretários de Educação nos 26 estados e no Distrito Federal, segundo levantamento da ONG Todos Pela Educação. O dado mostra que as mudanças de gestores estaduais têm sido frequentes: 35 alterações em 40 meses. De janeiro a abril de 2010, ocorreram 13 trocas.

Os números, tabulados a partir de levantamento do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), indicam que a continuidade de políticas públicas diante da recorrente mudança de gestores pode ficar comprometida.

“O ideal seria que os secretários bem avaliados permanecessem no cargo por mais tempo, para que as políticas públicas se consolidassem”, afirma o presidente-executivo da ONG, Mozart Neves Ramos. “Cada secretário tem seu estilo próprio de lidar com a comunidade. Quando acontece uma troca, há uma descontinuidade, que pode ser mais ou menos profunda, mas é sempre um atropelo”, aponta.

Para a presidente do Consed, Yvelise Freitas de Sousa Arco -Verde, o número de mudanças dificulta a execução de políticas de estado. “O gestor que entra, por mais habilitado que seja, leva tempo até ter o domínio da rotina, das discussões financeiras, das relações com outros órgãos”, diz. “Há dificuldades de implantar políticas de longo prazo, e muitos dos que se tornam secretários querem deixar suas marcas. Quem acaba sofrendo as consequências são as crianças, adolescentes e jovens”.

Corrida eleitoral – A presidente do Consed explica que parte das 13 trocas de secretários de 2010 se deve à corrida eleitoral. Isto porque os gestores que pretendem concorrer a cargos do Executivo e do Legislativo tiveram de se desincompatibilizar das pastas que dirigiam. Segundo ela, a gestão da Educação oferece visibilidade para os secretários.

Na análise do cientista político e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Fernando Abrúcio, o número de alterações de secretários tem dois sentidos. “Ele mostra que a área da educação tem relevância no debate público. Por outro lado, deixa o risco da descontinuidade de políticas públicas, já que o secretário é importante para o avanço na área”, afirma.

Tempo no cargo – Nesses 40 meses, o tempo médio de permanência no cargo dos secretários que assumiram em janeiro de 2007 foi de aproximadamente 28 meses (dois anos e quatro meses). Entre os que saíram, o tempo médio no posto foi de cerca de 20 meses (um ano em oito meses).

Em três unidades da federação, Distrito Federal, São Paulo e Mato Grosso, a alteração na pasta ocorreu com menos de um ano após o início da gestão.

Vale lembrar esta análise se baseia unicamente no mandato que teve início em 2007. Em alguns casos, como no Maranhão ou na Paraíba, os secretários que iniciaram esta gestão já exerciam o cargo no governo anterior.

Seis estados não tiveram mudanças – De acordo com os dados do Consed, apenas seis secretários que iniciaram o mandato em 2007 se mantiveram no cargo até o fim de abril de 2010. Foram os gestores do Acre, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e Sergipe.

A média de trocas de secretários nas 27 unidades da federação foi de 1,3. Mas essa medida não reflete todas as discrepâncias do país. Roraima, por exemplo, realizou quatro trocas de secretários, todas elas em 2009. 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: