NOSSOS GUERREIROS SÃO ANALFABETOS

Como milhões de brasileiros, às vésperas de mais uma Copa do Mundo, estou ansioso por ver a atuação da seleção brasileira, a elite dos melhores jogadores do esporte bretão. Entretanto, a inevejável posição conquistada por nossos atletas tem um alto preço e merece uma atenção especial.

No texto de Roberto Pompeu de Toledo em “O Pai do Neymar” – Veja 5/5/2010, edição 2163 – expõe as consequencias do sucesso destes meninos que, cada vez mais cedo, viram ídolos milionários do futebol: o fracasso do sistema escolar brasileiro. Ter um “escolhido do céu”, como mencionou o articulista, é um sonho alimentado por milhões de famílias. Basta uma bola nos pés e a cabeça bem longe das escolas. Essa foi a conclusão do jogador Henry, da seleção francesa, ao certificar que a vantagem dos jogadores brasileiros é que, desde garotinhos, não fazem nada senão jogar bola, na rua, nas praias ou em qualquer terreno baldio – vale tudo para se “bater uma bolinha” – enquanto os europeus se ocupam em estudar.

O assunto carece da atenção à altura de sua gravidade. Afinal, a base do desenvolvimento de um povo é a educação e, sabemos que a infância e a juventude dos meninos brasileiros há tempos são poupadas de qualquer estímulo no ensino, criando um sonho utópico de se gerar um produto exportação, capaz de suprir os devaneios consumistas de pais, filhos, cunhado e agregados em geral. Para isso, não é preciso saber ler ou escrever. Nem mesmo se expressar oralmente, nas especulares entrevistas.

O que não têm sido destacado, é o alto índice de indigência dos ex-jogadores que não souberam, ou não puderam, conduzir suas vidas depois da efêmera fama. Ficam ao léu, expostos à piedade pública. Quando o dinheiro e a fama se afastam, chegam a rejeição, a droga, o álcool, a depressão, o desespero e, por vezes, a própria morte.

Ainda são tímidos os depoimentos em relação a um assunto tão preocupante. Mas, aos poucos, ganha espaço. O mais recente, foi a entrevista do Juca Kfouri, na TV ESPN onde o ex-jogador Sócrates, abordou o tema com sobriedade. O brasileiro já nasce de olho no futebol. É uma herança genética. Nas Copas exigimos a perfeição, como a Grécia, de seus guerreiros. Entretanto, o placar que aponta que há 87 países no mundo, onde a educação é mais valorizada e que neste ranking estamos perdendo de goleada, não faz a menor diferença. Nem para os gestores, nem à população que sequer toma conhecimento do fato.

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