Uma investigação sobre como funciona o aprendizado

Editorial Revista Época -26-04-2010- página 8 – Em latim, o verbo “educar” tem, além da acepção comum com que é empregado em português, ainda outro sentido. É sinônimo de tirar, conduzir para fora. É um verbo usado para descrever o ensino, os cuidados de instrução e criação desde a amamentação, mas também – como sugere essa segunda acepção – o próprio ato de dar à luz. Na raiz, portanto, a educação é um parto. Emobra tenha perdido em português esse sentido original, na prática educar ainda se assemelha a gerar uma nova vida. É um ato gradual, silencioso e doloroso, que envolve uma interação fecunda entre dois seres humanos: o professor e o aluno.

Algumas semanas atrás, analisamos em reportagem de capa as características capazes de tornar uma criança normal um bom aluno. Nesta semana, nos dedicamos a decifrar o outro lado da educação, os bons professores. Nada é tão crucial para fazer uma criança aprender quanto ter bons professores. Se nosso país quer educar seu povo – e esse é, de longe, nosso maior desafio para o futuro -, só há um modo de fazer isso: por meio de bons professores.

A primeira conclusão que a repórter especial Camila Guimarães apresenta não é nova, mas continua urgente. Trata-se da necessidade de impor critérios de meritocracia no universo educacional. É preciso premiar os professores competentes e punir – se necessário com a demissão – os incompetentes. E não é difícil fazer isso. Basta verificar quem são aqueles cujos alunos se dão melhor nos exames nacionais que medem a qualidade do aprendizado.

É essencial que o Brasil consiga resistir às pressões de sindicatos e grupos de interesse que dependem da manutenção do statu quo e implemente em escala nacional medidas que permitam dar mais aos melhores professores – e menos aos piores. Se consegui fazer apenas isso, o próximo presidente da República acabará reconhecido, sem exagero, como o melhor da história do Brasil.

A segunda conclusão de Camila é mais surpreendente – e não menos importante. Apenas a meritocracia não é suficiente para criar bons professores. Há um ingrediente misterioso no próprio ato de ensinar. Ninguém sai das escolas de pedagogia sabendo dar aula e, como no jornalismo, a educação das crianças é um ofício em que se aprende a fazer fazendo. Daí a importância de entender o que funciona e o que não funciona dentro de uma sala de aula. Os exemplos de boas práticas vão da postura – que revela uma autoridade conquistada – à compreensão real do que leva os alunos a errar, para que possam ser corrigidos. Para elaborar as ideias da reportagem da página 110, Camila teve acesso às mais recentes pesquisas sobre esse tema. Seu enfoque é prático e tentar tirar o véu de mistério com que muitos ainda encobrem o ensino. Se a ciência desvendou enigmas bem maiores – como a geração de crianças e o próprio parto – é uma notícia estupenda saber que finalmente começamos a fazer o mesmo com o ensino.

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