São Paulo cai quatro posições em ranking salarial de docentes

Fonte: Folha de São Paulo-1-04-2010- página C/7 – Levantamento da Folha considera remuneração inicial na rede estadual; SP tem 2 melhor salário entre Estados com mais alunos. Governo Serra tem adotado políticas para remunerar melhor professor que for bem em avaliações; útlimo reajuste geral foi em 2008

A rede estadual paulista de ensino caiu quatro posições desde 2007 no ranking nacional de salários iniciais, para professores da educação básica. Ocupa hoje a 14 colocação entre os 27 Estados. Já dentre os cinco com o maior número de alunos, está em segundo lugar.

O levantamento, feito pela Folha, mostra que a hora-aula paga em São Paulo equivale à metade da de Roraima, unidade com a melhor remuneração.

No sistema paulista, o salário é de R$ 1.834, para uma jornada de 40 horas semanais. Foi considerada a remuneração inicial (que abrange metade da rede estadual de SP) dos docentes com formação superior.

Entre os cinco maiores sistemas de ensino, apenas o Paraná paga mais que São Paulo. Atrás vêm Rio, Bahia e Minas Gerais.

Parte dos docentes paulistas está em greve há quase um mês. Eles exigem reajuste de 34,3%. Desde 2008 não há aumento e desde 2005 os reajustes aos docentes estão abaixo da inflação.

A política implementada pelo governo Serra, que seguirá com Goldman (ambos do PSDB), foi dar dinheiro extra aos docentes mais bem avaliados. Ontem (31/3), por exemplo, a Secretaria da Educação anunciou que 20% dos docentes ganharam aumento de 25% – eles tiveram as maiores notas numa prova.

A pasta diz entender “que motivar e valorizar o professor é o caminho mais adequado para melhorar a educação”. O governo não comentou o ranking. Sobre o reajuste pedido pelos grevistas, afirmou que desorganizaria as finanças do estado.

Educadores ouvidos pela reportagem consideram o salário inicial um fator importante para determinar o perfil de profissional que a rede de ensino vai atrair. Há discordância, porém, sobre o peso desse indicador na qualidade da educação.

“São Paulo está evidentemente com um salário baixo. Se considerar o custo de vida no Estado, a situação é ainda pior. É difícil atrair e reter bons profisionais”, diz o coordenador da pós-graduação em educação da USP, Romualdo Portela.

Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Soicoeconômicos), São Paulo tem a segunda cesta básica mais cara do país, só abaixo da de Porto Alegre.

“O salário inicial é importante. Mas o jovem também olha as possibilidades de ascensão na carreira”, afirma o pesquisador Eduardo Andrade, do Insper (antigo Ibmec-SP).

Novo ranking – Desde 2007, quando a reportagem fez o último ranking, ultrapassaram São Paulo os Estados do Espírito Santo, Amapá, Mato Grossoe Paraná.

“O Estado vem recuperando os salários desde o ano 2000. Diminuíram as greves, melhorou a qualidade de ensino”, afirma o representante dos professores da rede estadual do Mato Grosso do Sul (7 no rankig), Jaime Teixeira.

Salários contam apenas parte da história – A comparação do levantamento de salários de professores feito pela Folha com o ranking das redes estaduais no Ideb (índice que avalia a qualidade da educação) confirma o que alguns estudos já haviam comprovado: a remuneração conta apenas parte da história.

O Maranhão paga o terceiro melhor salário, mas tem apenas o 19 Ideb. Já o RS, segundo pior salário inicial do país, apresenta o 5 melhor Ideb.

Quando esses estudos demonstraram que não havia correlação entre salário e o desempenho dos alunos, duas reações foram mais visíveis.

De um lado, uns negavam, cegamente, uma evidência empírica. No outro extremo, houve quem defendesse, desconsiderando por completo o efeito da remuneração na qualidade.

Hoje o tema é menos polêmico quando se entende que o salário pode não ter efeito imediato na nota dos alunos, mas é um importante fator, de longo prazo, para atrair profissionais qualificados para a carreira.

Nunca é demais lembrar os dados da Pnad. Eles mostram que não há profissão de nível superior que remunere tão pouco seus profissionais.

Aumentar salários não produzirá milagres educacionais instantâneos. Mas um país que paga a um professor de ensino fundamental 12% do que ganha um juiz está dando um recado claro aos jovens mais qualificados: fujam do magistério.

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