O que de fato está por trás da greve dos professores

Editorial Jornal da Tarde-31-02-2010-pág.A/2 -Presidente do sindicato dos docentes confessa que luta mesmo é contra o partido e a candidatura de Serra

A Apeoesp, sindicato dos professores da rede pública estadual, justifica as greves que lidera como movimentos para reivindicar maiores salários e melhores condições de trabalho para a categoria. Ou protesto contra propostas oficiais para alterar as relações profissionais dos docentes com o Estado. Mas não são propriamente secretas as autênticas, embora sub-reptícias, intenções políticas e eleiçoeiras que as inspiram. Só que antes ninguém havia sido antes tão sincero e explícito quanto o foi sua atual presidente, Maria Izabel Azevedo Noronha, ao se dirigir a manifestantes reunidos nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes na sexta-feira. A sindicalista, que, na noite anterior, tinha participado de ato político de apoio à candidatura da Chefe da Casa Civil e candidata de Lula e do PT à sucessão presidencial, fez eco ao coro de berros exigindo “fora, Serra” e ao som deste refrão cantado: “Daqui a pouco tem eleição e no Planalto ele não chega não” . Pois subiu no carro de som e berrou pelo microfone a palavra de ordem que todos conheciam, mas nunca ninguém ouvira em alto e bom som: “Estamos aqui para quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governador.” O partido é, na certa, o PSDB e o governador, José Serra, candidato deste ao cargo disputado por Dilma: outro orador nessa manifestação chegou a se referir explicitamente a esse apoio a ela pela “companheira Bebel”.

A Apeoesp, filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e ao PT, não luta por causas de interesse da cidadania, como a melhora do ensino público. E se limita a fingir concentrar seus esforços na defesa dos interesses corporativos de seus filiados. Mas agora rasgou a fantasia de vez. Do carro de som, a presidente da Apeoesp jogou fora quaisquer disfarces – seja a exigência de um aumento irrealista de 34,3% para o professorado, seja a queixa contra os exames com os quais o governo paulista pretende avaliar os docentes contratados provisoriamente – para se concentrar em algo que lhe interessa de fato: a luta estritamente política. “Esse senhor não vai ser presidente do Brasil”, esbravejou ela. “Se for eleito, vai acabar com a imagem do Brasil lá fora.”

No calor da argumentação eleiçoeira, a dirigente sindical se esqueceu de que a sobrevivência do PSDB, o futuro político do governador de São Paulo, a campanha presidencial e a imagem externa do País não deveriam ser assuntos relevantes para um movimento que quer fechar escolas e impedir que alunos cumpram o calendário escolar rotineiro.

A cândida confissão da petista justificou o fiasco da paralisação, pois o ano escolar não foi interrompido. Expôs também a motivação eleiçoeira das passeatas de grevista que, com a complacência de alguns juízes, paralisam o trânsito e infernizam a vida do paulistano por confessada motivação politiqueira. E ainda alertou para a deslealdade e a falta de ética da campanha eleitoral que está só começando.

 

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