A greve da hora

Artigo de Janio de Freitas – Folha de São Paulo-1-04-2010 -pág.A/8

A ideia do PSDB de buscar uma punição judicial para o sindicato dos professores oficiais de São Paulo, por considerar que a greve da classe tem propósitos eleitorais, é uma mau começo de campanha para José Serra e os candidatos peessedebistas em geral, no Estado.

Não é preciso, nem seria sensato, duvidar do componente eleitoral da greve. Por ao menos dois bons motivos, melhor caberia louvar a ocorrência de uma greve também política.

É legítimo, e da própria definição de sindicato, que participe da vida política com a posição mais conveniente à classe. Inclusive com greves, cuja base legal ou ilegal só à Justiça, e jamais a governos e à polícia, cabe proclamar. O histórico reacionarismo brasileiro foi que propagou a ideia de que sindicatos e congêneres só podem promover ações sem mais pretensão ou conotação do que reivindicações profissionais específicas. E, ainda assim, bastante estritas e sob legislação muito restritiva.

O outro motivo para ver a greve sem olhos injetados é o fato mesmo, só ele, de ser uma greve lançada por associação de classe. Se tem componente político e eleitoral, não foi dele e por ele que nasceu.

Foi, como ficou bem registrado em editorial da Folha de ontem (31/3), do fato de que, “desde 2005, os professores paulistas receberam apenas 5% de aumento salarial, contra uma inflação de 22% no período”.

Não fosse esse tratamento iníquo ou, mesmo com ele, não coincidisse o acúmulo de iniquidade com a fase já eleitoral, o governo Serra e o PSDB em geral não teriam por que falar em greve política e eleitoreira. No final, importa muito mais é que uma associação de classe se mostre viva, quando todas as associações devedoras da ação política própria da democracia parecem, há tanto tempo, sugadas de toda a sua vitalidade.

Impedir sindicatos e congêneres de se manifestar policamente seria trazer de volta um pedaço de ditadura.

Graças – De súbito, o governo melhorou. A desincompatibilização pode ser uma forma de milagre. De um momento a outro, quase todos os imiscuídos no governo, pelos partidos de cupins, foram-se para investidas em outras praças. Exceto um ali, outro adiante, foram substituídos por gente que de fato tocava o trabalho nos ministérios.

E por que os cupins, e não tocadores dos trabalhos de fato, eram ministros? Bem, isso acontece nas Presidências que acreditam na corrupção política como método de governo.

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