Trajetória entrelaça partido e sindicato

Fonte: O Estado de São Paulo – 30-03-2010- pág.A/7 – Perfil – Maria Izabel Noronha -Presidente da Apeoesp

Na semana passada, quando ameaçou utilizar a greve dos professores “para quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governo”, referindo-se ao PSDB e ao tucano José Serra, Maria Izabel Noronha não imaginou que a frase fosse lhe causar problemas. Afinal, ataques diretos ao governador e ao tucano têm sido constantes em seus discursos como presidente do Sindicato Apeoesp, desde que assumiu o cargo em 2008.

Nessa greve ela já o chamou de “inimigo da educação”. Também disse que, se eleito para o Planalto, ele “vai acabar com tudo que nós construímos”.

Nós, quem? É provável que ela se referisse à militância do PT – partido ao qual se filiou há mais de vinte anos e à sombra do qual construiu sua carreira sindical.

Bebel, como é conhecida a líder sindical que preside a Apeoesp, nunca escondeu essa fidelidade partidária. No ano passado, ao discursar diante de uma assembleia de profesores da cidade de Diadema, na Grande São Paulo, que cobravam o cumprimento de uma promessa feita pelo prefeito petista Mário Reali, disse: “Sou do Partido dos Trabalhadores e não esperava esse descumprimento da palavra do prefeito”.

Os vínculos entre o PT, Bebel e a Apeoesp são visíveis por toda parte. A seguir, três exemplos disso. 1) A entidade que ela dirige é filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço forte do PT no sindicalismo nacional. 2) Em 2006, no governo do petista Luiz Inácio Lula da Silva, ela passou a integrar a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. 3) Na semana passada, ela foi uma das convidadas de honra na abertura do 2 Congresso da Mulher Metalúrgica, organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ao lado de Lula e da pré-candidata Dilma Rousseff, do PT.

Bebel, que não diz a idade, nasceu em Piracicaba, a 150 quilômetros de São Paulo, e hoje mora Àguas de São Pedro, na mesma região. Elegante no vestir e muito bem articulada nas conversas particulares e nos discursos, ela entrou para a rede estadual de ensino há 24 anos.

Graduou-se na Universidade Metodista de Piracicaba em 1985 e, dez anos depois, concluiu o mestrado. Seus registros na rede pública indicam que ensina língua portuguesa.

Assumiu a presidência da Apeoesp em julho de 2008, com os votos de 56,16% dos 66.175 professores que votaram naquele pleito. Substituiu Carlos Ramiro de Castro, outro petista de longa trajetória, primeiro suplente do senador Eduardo Suplicy.

É o seu segundo mandato. O primeiro foi entre 1999 e 2002. Nas duas ocasiões se afastou da escola para cuidar da atividade sindical – atividade que a atrai muito. Na Apeoesp, já foi secretária de finanças; vice-presidente, secretária de organização, coordenadora da subsede.

Agora a militante, que misturou de forma indissociável as suas trajetórias partidárias e sindical, corre o risco de um processo no TSE.

 

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