PM PRENDE PROFESSORES EM MANIFESTAÇÃO CONTRA SERRA

Jornal de Campinas – 24-03-2010- com comentário publicado do professor José Maria Cancelliero – presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP)

Houve resistência por parte dos professores e a polícia usou cassetetes e gás de pimenta nos manifestantes  – A Polícia Militar prendeu hoje três professores da rede estadual de ensino que integravam um grupo de cerca de 30 docentes que protestava durante inauguração do Centro de Atenção à Saúde Mental, em Franco da Rocha (SP). O centro foi inaugurado pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Participaram da ação de hoje cerca de 40 soldados da PM e integrantes da Força Tática de acordo com o comandante do 26 Batalhão da PM, José Carlos de Campos Júnior.

Os professores reivindicam reajuste salarial de 34,3% e a categoria está em greve desde o dia 8 de março. O imbróglio teve início quando policiais tentavam conter a manifestação. Houve resistência por parte dos professores e a polícia usou cassetetes e gás de pimenta para dispersar os manifestantes. O comandante Campos Júnior informou que após o incidente ocorrido em Francisco Morato, na semana passada, quando os grevistas chegaram a atirar ovo no carro oficial do governador, a PM foi ‘mais preparada’ para a manifestação de hoje. ‘Pedimos que não usassem apito, porque esta é uma área hospitalar, mas algumas pessoas estavam incitando os demais’, afirmou, referindo-se aos três professores presos. O comandante frisou que não houve orientação para que os policiais reprimissem o ato com violência.

Enquanto o incidente se desenrolava, Serra discursava em palanque montado no Hospital Psiquiátrico do Juqueri, tradicional unidade clínica de Franco da Rocha. O tucano falava sobre as realizações de seu governo para a região, como a inauguração do próprio Centro de Atenção e de estações de trem.

Ao final do discurso, o governador fez comentários sobre as obras, mas não quis falar sobre o incidente. Os três manifestantes presos foram levados à delegacia de Franco da Rocha e poderão ser indiciados por desacato à autoridade e perturbação da ordem.

(meu comentário) – O que queremos é um salário digno. Nossas reivindicações são as mesmas desde 1998 – e isso, o governo sabe muito bem. Estamos fazendo um movimento pacífico. As reivindicações mostram nosso compromisso com a defesa do direito à educação e a nossa coragem para enfrentar aqueles que levaram o ensino paulista à falência.

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