Professores realizam ato na Paulista e continuam em greve

Notícias – Revista Fórum da Educação -entrevista do professor José Maria Cancelliero -presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP) – 19-03-2010- por Camila Souza Ramos

A greve de professores da rede pública do estado de São Paulo, que já dura 14 dias, continuará na próxima semana, conforme indicado na assembleia realizada hoje pela categoria, no vão livre do MASP. A manifestação teve início às 14h e termina no fim da tarde, com uma caminhada até a Praça da República. Os professores, que bloquearam os dois sentidos da Av. Paulista no quarteirão do Parque Trianon, somam, segundo a Polícia Militar, 8 mil. Sindicalistas afirmam, porém, que há mais de 30 mil professores no ato. Um efetivo de 300 policiais foi deslocado para acompanhar o ato, além dos presentes nas redondezas da avenida.

De acordo com Maria Izabel Noronha, a Bebel, presidenta da Apeoesp, hoje a adesão chegou a 85% da categoria. Com a continuidade da paralisação, a próxima assembleia estadual dos professores da rede pública será realizada na próxima sexta-feira, em frente ao Palácio dos Bandeirantes. O ato ocorrerá nos prováveis últimos dias em que José Serra (PSDB) fica à frente do governo paulista. No início de abril ele deve deixar o cargo para o vice Alberto Goldman, para concorrer à presidência da República.

O governador encerra seu mandato, segundo os manifestantes, com uma “contribuição” para a categoria dos professores: “ele foi capaz de gerar uma grande mobilização contra ele próprio”, avalia o deputado estadual Roberto Felício (PT). O discurso irônico era partilhado por muitos. “Foi ele (Serra) quem dirigiu a greve”, afirma José Maria Cancelliero, presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP). Segundo ele, a falta de abertura ao diálogo tem feito mais professores aderirem à mobilização.

Serra tem afirmado à imprensa que a greve dos professores é uma tática para fragilizar seu governo justamente em seus últimos dias de mandato e classificou os protestos dos professores como “trololó”. “Não tem greve. Só tem marketing para a imprensa noticiar”, afirmou à imprensa. Bebel, porém, afirma que todo mês de março é a data base (período de negociação dos contratos coletivos de trabalho) dos professores da rede pública e que “o que fragiliza o governo estadual é o não atendimento das reivindicações”.

Entre as principais reivindicações da greve estão o reajuste salarial de 34,4%, a incorporação das gratificações ao salário, extensivas aos aposentados e o fim da medida que obriga o professor a realizar provas para continuar trabalhando. No ano passado, a Assembleia Legislativa aprovou a lei complementar 1.093/09 que obriga todos os professores da rede pública a realizarem um provão para que o estado identifique que professores poderiam continuar dando aulas e quais não poderiam.

“A prova é muito difícil, muito teórica. Não tem a ver com a nossa prática”, reclama o professor João Aparecido Minto, que dá aulas de História na Zona Leste da capital e participou do ato. “E as diretorias de ensino não dão orientação para as avaliações de professores”, completa. Minto dá aula para salas com mais de 40 alunos e acredita que a qualidade do ensino melhoraria se a sala fosse menos numerosa. “Nos últimos anos, a qualidade de ensino vem caindo muito”. “Não conseguimos fazer acompanhamento dos alunos”, reclama.

Além das condições de trabalho, os professores também reclamam da falta de valorização da profissão. “Meu tíquete refeição é de 4 reais. Eu até recebo gratificação, mas ela não vai ser contada para o cálculo da aposentadoria”, protesta a professora Maria Santana, que veio de Mauá para participar da manifestação.

Investimentos – O governo estadual, em contrapartida, afirma que tem feito investimentos e colocado dois professores por sala de aula. A secretaria de educação divulga em seu site que em 2009 o investimento em educação pública chegou a R$ 19 bilhões, um aumento de R$ 5,3 em comparação a 2008.

Um dos programas mais propagandeados pelo governo é o de implementação de dois professores por sala. No entanto, os docentes afirmam que isso não é verdade. “É mentira que há dois professores por sala de aula; um é estagiário, com responsabilidade de professor”, diz o deputado Felício.

Conforme apurado pela Fórum, em algumas escolas da capital paulista nem estagiário há por sala, apenas um professor. Em outras escolas, como a Rodrigues Alves, localizada em região nobre da cidade, a coordenação afirma que no ano passado já havia dois professores por sala e para este ano espera receber o segundo professor a partir de abril.

Relação com governo- Deputados estaduais que apoiam a greve marcaram para a próxima terça-feira, 23, uma audiência pública na Assembleia Legislativa com a partipação de professores e da secretaria de Educação do Estado. No entanto, a proposta dos sindicatos era realizar uma audiência com a comissão salarial do governo para discutir os salários de outras categorias de funcionários públicos. Na última quarta-feira, 17, o secretário de educação Paulo Renato  Souza, confirmou que orientou os diretores regionais a substituírem os professores que aderiram à greve, que terão falta computada e correm risco de sofrer processos administrativos da Corregedoria do Estado. Os professores esperam resolver o impasse na terça-feira.

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