Será que velhas fórmulas resolvem novos problemas?

Análise: Luciana Constantino – O Estado de São Paulo -20-03-2010-pág.A/34

Após duas semanas do início da greve dos professores da rede estadual de ensino de São Paulo, o maior sindicato da categoria, a Apeoesp, fala em “radicalização” do movimento por falta de negociação. Já o governo considera a paralisação “política” e lista as medidas que vem adotando no setor. Por trás dessa queda de braço estão cerca de 220 mil professores que dão aula para 5,5 milhões de alunos matriculados em 5 mil escolas em todo o Estado.

Só para se ter uma ideia da grandeza desse universo de alunos, ele é próximo dos 5,8 milhões de estudantes matriculados em todos os cursos de graduação do Brasil. Já o total de docentes do Estado é quase a população da cidade de Limeira, que fica a 154 quilômetros de São Paulo e conta, segundo o IBGE, com cerca de 281 mil moradores.

Quando tratamos, porém, da qualidade, os números da educação de São Paulo caem para patamares pouco razoáveis – destacando que, mesmo assim, ainda estão entre os melhores do País. Mas é pouco para um Estado que gera cerca de um terço do PIB brasileiro.

Pelos dados do último Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), apenas 10,3% dos alunos da 4a série do ensino fundamental ficaram no nível avançado quando se trata do desempenho na prova de língua portuguesa. Conforme avançamos a série, o dado cai, já que na 8a foram apenas 2,3% e no 3o ano do ensino médio não chegaram a 1%. Em matemática, o quadro piora: só 6,3% dos alunos da 4a ficaram no avançado, 1,2% da 8a e 0, 5% do ensino médio. O desempenho tem por trás uma vida real nas escolas que tropeça em falta de infraestrutura, violência dentro e fora dos muros dos colégios, informatização atropelando os currículos, alunos desinteressados.

Esse novos problemas demandam criatividade, debate, envolvimento, que só podem ser obtidos se houver uma categoria forte. Mas será que é usando a velha fórmula da paralisação, com movimento que fecha avenidas, que se chegará a isso?

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