Professores em greve travam a capital e sindicato é multado

Fonte: Diário de São Paulo – 20-03-2010-pág.3 – Prefeitura diz que Apeoesp descumpriu regra que proíbe protesto na Paulista e agora cobra R$ 350 mil

Cerca de 10 mil professores, segundo a Polícia Militar, fecharam as duas faixas da Avenida Paulista durante mais uma assembleia da Apeoesp no vão livre do Masp (Museu de Artes de São Paulo), na região central. Assim como na última sexta, os manifestantes seguiram a pé até a sede da Secretaria Estadual de Educação, na Praça da República, no Centro. A ação, em pleno horário de pico, ajudou a bater o recorde de trânsito do ano na capital, de 207 quilômetros, marcado por volta das 19 horas, e pode render multa à entidade, aplicada pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

Pela manhã, o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, anunciou que pediria multa de até R$ 350 mil pelo fato da Apeoesp descumprir norma que proíbe manifestações na Paulista. Mas a entidade não mostrou preocupação.

O objetivo de  ontem era rebater declarações do secretário de Educação, Paulo Renato Souza, de que o sindicato não lhe enviou as reivindicações da greve, que já dura desde o último dia 8. Para Souza, a greve é política e programada para prejudicar a candidatura de José Serra à presidência. Os grevistas foram informados de que o responsável pela pasta não estava na secretaria e já marcaram para a próxima sexta uma nova manifestação, desta vez no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo.

“Estou com um pensamento muito positivo. Os professores mostraram que querem respeito. O secretário não pode falar o que falou. Já protocolamos um pedido de aumento salarial em 2010 e nem preciso dizer que não fomos atendidos”, disse a presidente da Apeoesp.

A dirigente refutou novamente as acusações de que a greve tem apelo político e disse que a paralisação não tem data para terminar. “O secretário e o governador defendem um partido. Eu também, o do magistério. Não temos nenhuma razão de voltar para a sala de aula com as mãos vazias”, completou.

A secretaria diz que apenas que 1% das escolas estão paradas. A Apeoesp fala que cerca de 75% dos professores estariam de braços cruzados. A Apeoesp acredita que a adesão chegue a 100%.

Secretário critica grevistas – Por meio de mais uma nota oficial, a Secretaria Estadual de Educação voltou a chamar a greve de política e lamentou a “continuidade de um movimento esvaziado, inimigo da educação do estado de São Paulo”.

Assim como o secretário Paulo Renato disse ao Diário, a pasta alega que jamais se negou a receber os membros da Apeoesp e que cumpriu algumas reivindicações anteriores da categoria em três encontros ao longo do ano passado. Não é o que Maria Izabel Noronha diz. “Protolocamos três pedidos de reunião para tratar do reajuste salarial ainda em 2009. Jamais fomos atendidos”, disse.

A pasta diz que adotou medidas significativas para a categoria nos últimos anos, como a lei de capacidade (que dá 25% de aumento para quem passar em uma prova), o fim das faltas sem justificativas e até a Escola Paulista de Formação de Professores. Cita a melhora de 9,4% do Índice de Desenvolvimento de Educação do Estado (Idesp) como justificativa para mostrar que está no caminho certo. Mas ainda não conveceu os professores, contrários às medidas.

A troca de farpas entre governo e sindicalistas está longe de um acerto, já que as partes admitem que não conversaram desde o início da greve. Enquanto isso, ambos fornecerem números distintos sobre os efeitos da greve na rede e nos alunos. “Eles estão tentando tampar o sol com a peneira. Quando dizem que apenas 1% das escolas está funcionando, é que tentam minimizar o movimento”, disse a dirigente. Paulo Renato reconhece “que algum prejuízo tem”, mas diz que professores eventuais estão repondo os grevistas.

Briga por reajuste de salários – O impasse entre Apeoesp e o governo estadual vem desde o início do ano. A maior das discussões entre as partes trata da questão do reajuste salarial. Os professores exigem reajuste salarial de 34%, alegando que não recebem aumento direto na fonte desde 2005, ou seja, na atual gestão. A secretaria rebate, diz que os programas de bônus e gratificações renderam um aumento de até 38,2% para os professores em atividade. Além disso, cita sua folha de pagamentos, que cresceu 33% nos útlimos quatro anos.

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