Paulista mais uma vez parada

Fonte: Jornal da Tarde-20-03-2010-pág.A/7 – Professores decidem manter greve e prometem novo protesto na próxima sexta-feira

Em assembleia que paralisou pela segunda vez em uma semana todas as faixas da Avenida Paulista, os professores da rede estadual de São Paulo decidiram pela manutenção da greve e por nova assembleia na próxima sexta-feira. O local escolhido para o novo ato foi o Palácio dos Bandeirantes. “José Serra fugiu dos professores esta semana, então nós vamos até a casa dele”, afirmou um dos manifestantes, referindo-se à ausência do tucano na inauguração de viaduto na zona norte na quinta-feira.

A manifestação se concentrou no vão livre do Masp  e foi organizada pela entidades do magistério. Depois do ato, que começou às 15h e terminou às 16h30, os professores seguiram em passeata até a Praça da República, contribuindo para o recorde de trânsito ser batido.

As reivindicações que levaram às ruas 30 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, ou 50 mil pessoas, de acordo com a organização do ato, permanecem as mesmas: reajuste salarial de 34,3%, estabilidade para todos, com concurso público classificatório e revogação da Lei 1.093, que dispõe sobre a contratação de professores temporários.

Os grevistas têm atividades agendadas para toda a próxima semana, incluindo uma audiência pública na Assembleia Legislativa na terça-feira, em que estarão presentes representantes de todo o funcionalismo público. Também foi anunciado para o dia 31 de março um bota-fora do governador José Serra. “Não queremos que os brasileiros sofram o tanto que estamos sofrendo em São Paulo”, disse Carlos Ramiro de Castro, ex-presidente da Apeoesp e vice-presidente da CUT. “Temos que impedir a eleição dessa pessoa que promove o sucateamento do serviço público para depois entregar tudo para a iniciativa privada.”

Entre os anúncios do governo estadual, que segundo os grevistas não são cumpridos, estão a presença de dois professores nas sala de aula, bônus de até R$ 15 mil para professores e segurança em todas as escolas.

Outros assuntos que vieram à tona foram as salas lotadas, com até 60 alunos, a falta de laboratórios e bibliotecas e a atuação de 100 mil professores sem concurso. Os professores também dizem que tem muita gente recebendo sala´rio abaixo do piso, que é de R$ 1,3 mil. “Nosso salário é 60% menor do que o do professor do Acre”, dizia um dos manifestantes. Durante o ato, até o ministro da Educação, Fernando Haddad, foi convocado pelos grevistas a se manifestar sobre a situação estadual.

Outras categorias – O Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaúde-SP), que também estava no local, anunciou que, em assembleia, decidiu pela paralisação de 48 horas, a partir de segunda-feira. Na terça-feira, outra assembleia pode decidir pela greve por tempo indeterminado.

MP não consegue impedir invasão – O Ministério Público não conseguiu impedir que a situação da semana passada se repetisse. Embora tenha feito pedido à Justiça na quinta-feira para impedir a manifestação, ele foi negado. Até mesmo a medida cautelar que proibia apenas a obstrução do trânsito, apresentada em seguida, foi rejeitada pela Justiça na manhã de 19/3.

No início da manifestação dos professores, às 14h de ontem, a Polícia Militar bloqueava o trânsito em apenas uma faixa da Paulista, no sentido Consolação. No sentido opotso, o trânsito fluía normalmente. Às 14h45, com a chegada de mais manifestantes em ônibus vindos de todo o estado, a polícia precisou fechar outra pista. Porém não demorou para que grevistas do outro lado da avenida invadissem todas as faixas da Paulista, paralisando totalmente o tráfego em dois quarteirões, entre as ruas Itapeva e Peixoto Gomide.

O trânsito, já pesado às sextas-feiras, ficou comprometido. Na Avenida Paulista e nas ruas Augusta e da Consolação, filas imensas de ônibus se formaram. Passageiros decidiram abandonar os meios de transporte, que continuaram vazios até o fim do protesto. Por volta das 16h30, as pistas da Paulista que levam ao sentido Paraíso começaram a ser liberadas. No sentido oposto, o trânsito ficou impedido até pouco depois das 17h. A CET não soube informar a lentidão no horário, mas às 19h a lentidão atingiu pico de 209 quilômetros.

Reivindicações – Reajuste salarial de 34,3%; Estabilidade, com concurso público de caráter classificatório; Plano de Carreira; Revogação das leis 1.093, 1.041 e 1.097, que dispõem sobre a contratação de temporários; Contra a avaliação nacional dos professores (PLC 1614); Contra o provão dos ACTs (Admitidos em Caráter Temporário).

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