Entrevistas – ‘O Estado de São Paulo” 20-03-2010

Solange Zillio – Professora de português da rede estadual

‘Sabemos que é um transtorno, mas ninguém quer nos ouvir’

. Por que a senhora aderiu à greve dos professores?

As escolas têm material didático, mas, como a educação está nas mãos de uma economista, não há valorização do material humano. A data base da categoria, que é 1 de março, não é respeitada há 16 anos.

. O que a senhora acha da prova de avaliações por mérito?

Não sou contra a avaliação. Fiz um concurso público, que é uma prova. O problema é que, neste modelo, apenas 20% dos professores da rede terão direito a um aumento. E todo mundo precisa ter um salário digno. A candidatura de José Serra à presidência está por trás disso. Ele quer mostrar para o Brasil professor em propaganda eleitoral dizendo que ganha bem, mas não é verdade para todo mundo da rede estadual.

. A senhora acha que fechar a Paulista é a melhor maneira de protestar?

A mídia não tem vendido horáriopara os sindicatos explicarem o que está acontecendo. Sabemos que é um transtorno, mas ninguém quer nos ouvir. Não temos outra opção.

. A senhora acha que isso pode trazer algum resultado?

O Serra vai sair para concorrer à presidência e não vai querer deixar uma greve para trás. Queremos voltar para a escola, é ruim para todo mundo parar. Mas não teve outro jeito.

Ocimar Munhoz – Professor da Faculdade de Educação da USP

‘A manifestação é legítima, mas tem ganhos e perdas’

. Até que ponto é válido trazer protestos como o de ontem?

O movimento dos professores julga a pertinência de se fazer um protesto como esse. Quem levanta a mão nas assembleias para apoiar esse tipo de manifestação sabe suas consequências. Eles querem mostrar que o movimento tem sustenção.

. Essa greve é política?

Toda greve é política. O sindicato está querendo encontrar forças para confrontar a orientação política da educação no Estado. A manifestação é legítima, sob esse ponto de vista. É a busca de um reconhecimento para ganhar expressão, mas há ganhos e perdas. O que o sindicato quer é mostrar que a política do governo não é boa para os professores.

. Quais são os impactos de uma manifestação como essa?

São os ônus de um protesto do tipo. O governador pode decidir mandar a polícia para coibir ou não o movimento e intimidar quem está se contrapondo à sua política. Há uma disputa de orientação da política educacional do Estado.

. O senhor acha que é possível melhorar essa relação?

A maneira como o governo trata hoje os professores leva a essa situação de tensão. Alguns elementos não facilitam a construção do diálogo. Devemos lembrar que os dirigentes vão passar e os professores ficarão lá.

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