Professores estaduais prosseguem a greve e ensaiam novo protesto

Após dois protestos nas duas últimas sextas-feiras, na Praça da República e na Avenida Paulista, os professores estaduais decidiram manter a greve da categoria para essa semana e ainda, prepararam mais uma manifestação para sexta-feira (19/3), às 14 horas, na Paulista.

O novo protesto é uma continuação da paralisação, que se iniciou no último dia 8 e servirá para forçar o governo estadual a abrir negociações com o setor, que de acordo com as entidades, ainda não foi ouvido pelo Poder Público. “Não houve nenhuma reunião com ninguém. O governo não quer saber o que a educação está pensando e quer. Tomara que depois desse grande movimento e a adesão, o Serra (governador José Serra -PSDB) sente ao menso para negociar”, disseram as entidades.

Na Paulista, na sexta-feira, quando o novo protesto foi marcado, cerca de 40 mil professores compareceram e trocaram empurrões com policiais militares, pois as autoridades tentavam deter, em vão, a presença dos educadores nas ruas. “Toda a movimentação do Governo Estadual para colocar em descrédito nossa greve, nos deu força para prosseguir. Se eles falavam em adesão ridícula, verão que nosso movimento é forte e lutará até o fim. A greve continua”, afirmaram as entidades.

Estudante: “Minha mãe é professora e está tonta e louca” – Entre os cartazes e faixas presentes no protesto dos professores da rede estadual de ensino, na Avenida Paulista, (12/03), um chamou a atenção da imprensa e também, dos manifestantes. O estudante Caio César Oliveira, de 15 anos, ostentou durante todo o evento, um cartaz escrito à mão com os seguintes dizeres: “Minha mãe é professora e está tonta e louca”. Segundo Oliveira, a frase não surgiu somente para chocar. Trata-se da realidade da vida de sua mãe, que é professora da rede estadual há 20 anos. “Ela entrou saudável e atualmente, está com uma labirintite forte, que adquiriu com salas cheias e baixos salários. Além disso, ela se finge de louca, porque só assim consegue suportar a situação da educação e das aulas. Só a greve para resolver isso”, contou.

Educação afirma que lamenta a continuidade do movimento – Em nota, a Secretaria da Educação afirma que condena a interrupção da Avenida Paulista e os transtornos causados pela manifestação da última sexta-feira, dia 12. O órgão lamenta que as entidades insistam em um movimento esvaziado, político e inimigo da educação de São Paulo. A adesão à tentativa de greve na primeira semana do movimento foi em torno de 1% do total dos docentes. A Secretaria da Educação ainda diz que os grevistas estão com o ponto cortado e terão desconto salarial relativo às faltas, além de estarem perdendo a condição de participar do Bônus por Resultados de 2010.

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Uma resposta para Professores estaduais prosseguem a greve e ensaiam novo protesto

  1. Luciana disse:

    Segunda-feira, 15 de março de 2010
    Professores lamentam a nota da Secretaria da Educação
    Professores protestam contra as mentiras do governo
    Os professores em greve lamentam que o governo insista em esconder um movimento de direito e a favor da educação. A adesão à greve na primeira semana é grande e calcula-se 40.000 pessoas no movimento de sexta-feira. Os professores não estão lutando apenas por salários, mas também por uma educação de qualidade.
    Os professores lamentam também que a única forma de se fazer ouvir a classe seja através do desrespeito as orientações da Prefeitura, da Justiça e do Ministério Público com relação à paralisação do trânsito na Avenida Paulista, causando incômodo a milhões de paulistanos. Se houvesse respeito a classe por parte do governo, poderíamos resolver tais questões de forma diferente e menos incômoda a todos, inclusive aos professores. A única coisa que podemos fazer é pedir desculpas a esses milhões de paulistanos e dizer que estamos lutando por eles também, pois são os seus filhos que estão passando de ano sem saber ler e escrever.
    O governo cortou o ponto dos grevistas com o intuito de fazê-los recuar. Isso já era esperado e temos certeza que não vai amedrontar o movimento. Quanto ao bônus, muitos de nós já não o recebemos no ano anterior e nem temos pretensões com relação a este ano, pois além de nunca cumprir datas, o governo também demora em divulgar dados. Aliás, se tivéssemos um salário digno e justo, não precisaríamos discutir sobre bônus.
    Quanto o Programa de Valorização pelo Mérito, ao nosso ponto de vista é injusto, pois 80% da classe estarão fora deste aumento, o que fere o direito a igualdade garantida pela constituição do país. Vamos então colocar os políticos para serem avaliados por mérito, temos certeza que sobraria muito dinheiro para realizar melhorias para a sociedade. Sem contar que a prova não garante que a pessoa seja um bom profissional. Podemos encontrar mestres, doutores e especialistas que sabem muito sobre um conteúdo específico, mas que não conseguem enfrentar uma sala de aula. Ser professor exige muito mais que conhecimento específico. Exige conhecimentos sobre o comportamento humano, paciência e respeito, e tudo isso se adquire com o tempo e com a dedicação. Uma simples prova é incapaz de testar tais qualidades.
    Os professores declararam guerra ao conjunto de programas que estão destruindo o ensino público estadual paulista. O governo fala sobre os dados do Saresp, mas nossa realidade não são apenas dados, mas sim pessoas, crianças em formação, muitas delas carentes com problemas sociais graves e sem assistência psicológica, médica ou familiar. Vivemos uma realidade de violência e abandono.Queremos melhores condições de trabalho e incentivos para o aprimoramento profissional e é por isto que estamos lutando. Estamos contra leis absurdas aprovadas por pessoas que deveriam representar o povo e não ir contra ele.
    Não queremos privilégios, queremos respeito e reconhecimento, pois trabalhamos duro, dia a dia e só recebemos descaso e culpa por um sistema fracassado não dar certo. O governo acha ótimo o salário de um professor com jornada de 40 horas R$ 1.835,00? Então vamos trocar com os políticos apenas por um mês nosso salário e nosso dia a dia. Vamos vê-los na pele do professor que além das 40 horas, leva serviço para casa e sobrevive com este salário, além de receber diariamente descaso e desrespeito. São Paulo é um dos estados que tem a maior arrecadação de impostos do país, mas não é o estado onde o professor tem salário melhor, e esta informação não é divulgada ao povo. Já que o governo quer comparar, então vamos divulgar os salários dos senhores governadores, prefeitos, deputados, vereadores. Vamos comparar sua jornada de trabalho com a do professor, assim como os salários.
    Há sim justificativa para a greve e para a reivindicação de 34% de aumento, pois a cada dia o custo de vida aumenta (principalmente os alimentos), o salário mínimo também sofre aumento, mas o salário do professor permanece o mesmo há cinco anos e pasmem ao saber que nosso ticket alimentação é de quatro reais. Agora perguntamos: o que compramos com quatro reais? A cada novo ano o professor tem que aumentar a sua jornada de trabalho se quiser manter o seu padrão de vida, trabalhar mais para ganhar a mesma quantia e assim dar adeus a sua saúde e a sua qualidade de vida. Mas estes são detalhes que o governo não comenta.
    Quanto ao processo educativo, não vemos vantagens nas leis propostas pelo governo. Ao contrário, a cada ano o governo se mostra mais desorganizado principalmente na atribuição de aulas, que é atropelada e atrasada, pois as atribuições ocorrem na véspera do início das aulas. A própria estrutura que o estado fornece quebra uma continuidade pedagógica, pois o professor e a escola nunca têm tempo para se organizar e o que vemos é o aumento da rotatividade. Quanto às faltas, sabemos que em todos os setores há pessoas mal intencionadas e desonestas e na educação não é diferente, mas existe uma grande parcela que trabalha duro e não pode ser penalizada por uma minoria.
    A carreira de professor está longe de ser atrativa e a realidade mostra a falta de profissionais. Não encontramos mais professores eventuais e dispostos a trabalhar principalmente nas escolas de periferia. E isso a sociedade pode facilmente comprovar!
    Queremos formação continuada para todos, queremos respeito e reconhecimento. Queremos de fato ver nossos alunos crescer e se tornarem cidadãos conscientes de seu papel na sociedade.
    Estamos buscando o apoio de pais e alunos e afirmamos que em nossa comunidade conseguimos. Queremos mostrar ao povo a realidade que a televisão não mostra e isto é fácil, pois a escola está próxima deles. Os pais entram na escola e reconhecem o que está errado, diferente dos políticos que pensam a educação longe da realidade, que enviam bens materiais mesmo sem consultar a unidade se serão necessários e úteis, e não perguntam em momento nenhum o que a escola realmente precisa. Já que alguns políticos acreditam que não temos motivos para reclamar, sugerimos a troca de papéis, gostaríamos que pudessem viver o nosso dia a dia e receber o nosso salário.
    Para finalizar, a incorporação de algumas gratificações no salário não é um favor que o governo faz a classe, mas sim uma obrigação, pois o salário do professor é ridículo se comparado com outros profissionais que estudam muito menos e se dedicam muito pouco para o bem da sociedade.

    Estamos lutando pela nossa dignidade, pelo nosso aluno e acima de tudo pelo nosso estado!

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