Professores afirmam não acreditar na eficácia da greve

Fonte: O Estado de São Paulo – 10-03-2010 – pág.A/17 – Paralisação em SP por reajuste teve baixa adesão; sindicato contesta

Descrença na eficácia de greves, desconfiança nas razões dos sindicatos e temor de perder rendimentos foram apontados por professores como motivos de eles não aderirem à greve da rede estadual de educação, que entrou ontem no segundo dia com baixa adesão.

Há mais de 20 anos no magistério, Regina Ferreira acredita que a paralisação só prejudica os alunos. “No passado participei de greves, mas até hoje se luta pelas mesmas coisas”, disse. “As reivindicações são justas, mas a greve não resolve”.

A professora da capital A.L.S. descreve a situação em sala de aula como “terrível”, mas ainda assim preferiu não aderir. “Como é ano eleitoral, todos se questionam se o fundo não é político, e o movimento fica desmoralizado”, afirmou.

Para muitos docentes, manter-se no trabalho tem motivações práticas, como poder prestar a prova de promoção por mérito, da qual só participam os que tiverem poucas faltas.

“Sou favorável à greve, mas só vamos aderir se todos da escola aderirem”, disse Tathiana Cristina Anísio, professora em Birigui. A decisão em sua escola sai hoje. “O que percebo entre os colegas é o medo das consequências, como desconto de salário, não concorrer ao bônus. O professor fica amarrado”.

A professora Silvia Avlasevicius gostaria de entrar em greve, mas está “amarrada” pelo período probatório de três anos. “A gente perde o direito à greve”, reclamou. Segundo ela, o professorado sofre pressão contra a paralisação de muitas partes – da direção da escola, dos pais e da própria consciência de sua missão. “Isso faz com que a gente vá trabalhar mesmo sem condições”, afirmou.

A Secretaria da Educação informou ontem que as escolas estão funcionando normalmente e 1% dos professores entraram em greve. Já o Sindicato dos Professores (Apeoesp), ligado á Central Única dos Trabalhadores (CUT), contesta o número e alega que ontem 55% da categoria havia aderido à paralisação no Estado.

Raio X

Reivindicação: O movimento reivindica reajuste salarial de 34,3% para a categoria

Tamanho da rede estadual: São cerca de 215 mil docentes em atividade no Estado, trabalhando em 4,5 mil escolas, que atendem 5 milhões de alunos

Salário: A remuneração inicial de um professor em São Paulo com jornada de 40 horas de trabalho é de R$ 1.835

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