Greve dos professores: o fiasco constatado

Editorial Jornal da Tarde-10-03-2010-pág.A/2

O malogro da greve dos professores da rede pública estadual, convocada mais uma vez por motivação meramente política, tendo reivindicações salariais apenas como pretexto e disfarce, foi tal que o principal responsável pelo movimento, o sindicato da categoria, admitiu adesão de 10% a 60%, de acordo com a região. Trata-se, evidentemente, de uma falácia. A Associação dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp) reconhece a alta frequência dos docentes nas escolas estaduais onde a vista alcança e fixa uma paralisação mais alta (até 60%) em locais incertos, não sabidos e evidentemente distantes dos olhos de pais e repórteres aberlhudos.

Petistas em campanha eleitoral para a Presidência da República e o governo estadual, portanto duplamente empenhados em prejudicar candidaturas tucanas no País e no Estado, esses ativistas políticos pretendem criar tempestade em copo d´água, mas terminam por colher apenas o que plantaram. Repórteres do Grupo Estado percorreram 16 colégios da capital e todos tinham atividade normal, com a ausência pontual e rotineira de alguns docentes. Escolas como Marina Cintra e Paulo Macalão chegaram a ser atingidas pelas faltas e funcionaram parcialmente,  mas não há notícia de que alguma tenha fechado.

Essa crônica do fiasco constatado se deve à absoluta falta de sintonia entre a base sindical do professorado e seus dirigentes sindicais. A grande maioria dos docentes não acha razoável deixar estudantes sem aulas apenas para servir de massa de manobra para o boicote eleitoral contra o governador paulista, José Serra, dublê de candidato a presidente pelo principal partido de oposição, o PSDB. Prejudicar o calendário escolar por motivação meramente partidária, deixando de levar em conta o interesse dos alunos, que deveria prevalecer na pauta de atividades desses politiqueiros irresponsáveis, não seduz mais os mestres, ainda que muitos deles achem que ganham pouco e estejam descontentes com as políticas da atual gestão tucana para a categoria. Uma professora, que não quis se identificar, reclamou: “Terminei meu doutorado e tudo o que recebi foi R$ 40”. Nem por isso ela deixou de dar aula, porque não pretende submeter a própria carreira às manobras políticas de quem quer que seja. “Não penso em fazer greve porque, se faltar, perco a única chance de ter um aumento de verdade”, disse ela. Um baixo índice de absenteísmo é condição para o programa de promoção por mérito.

Qualquer professor que leve mais em conta o ofício que o desempenho de quaisquer partidos na disputa de cargos eletivos sabe que 34,1% de reajuste salarial – principal pretexto para a greve política – é um pleito irrealista, embora ninguém discorde que seria justo. Dez meses depois de ter fracassado na paralisação contra mudanças feitas pelo governo Serra na gestão do magistério público, a direção da Apeoesp errou a mão de novo. Assim, põe em dúvida a própria legitimidade como representante dos docentes estaduais.

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