PROFESSORES DECIDEM PARAR

Entrevista do Professor Zé Maria – presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP) – Jornal da Tarde – 6/03/2010- pág.A/9- Paralisação será a partir de segunda-feira. Para o governo do Estado, ato é ‘uma decisão política’.

Professores da rede estadual de São Paulo reunidos na tarde de ontem em assembleia na capital aprovaram a convocação de uma greve a partir de segunda-feira por tempo indeterminado. O movimento, liderado pelo Sindicato Apeoesp, reivindica um reajuste salarial de 34,3%, aumento que está fora de cogitação, segundo a Secretaria Estadual da Educação. A pasta classificou a aprovação da greve como “decisão política”.

Segundo a Apeoesp, a assembleia de ontem reuniu de 9 a 10 mil docentes em frente ao prédio da Secretaria da Educação, na praça da República, região central.

Após a votação da greve, os professores saíram em passeata até a Praça da Sé. A categoria conta com 215 mil docentes em atividade. A rede atende a 5 milhões de alunos em cerca de 5 mil escolas.

“A assembleia foi satisfatória, tivemos o comparecimento de representantes de todas as regiões da Grande São Paulo”, dizia a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo. “Um fator muito relevante foi que se aprovou a greve por unanimidade, coisa muito rara”.

O reajuste salarial reivindicado é a reposição de perdas salariais acumuladas de 1998 para cá, segundo cálculos comparativos do poder aquisitivo do salário do professor feitos pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“Com o movimento, esperamos que o governo nos chame para negociar, uma negociação que possamos ganhar alguma coisa”, diz o presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP), José Maria Cancelliero. Além da Apeoesp e do CPP, apoiam o movimento grevista os sindicatos Udemo (diretores), Afuse (funcionários), Apase (supervisores) e Apampesp (aposentados).

Em nota, a Secretaria de Educação do Estado destacou que as entidades contestam  “todos programas de evolução educacional instituídos pelo governo, extrapolando as reivindicações sindicais”.

“A secretaria confia que o conjunto dos professores, a exemplo das tentativas anteriores da Apeoesp, não vai se mobilizar em relação a essa pauta que só prejudica o ensino público e é contrária aos interesses dos professores.”

O governo estadual faz referência aos dois últimos anos, quando o movimento grevista não foi além de manifestações em frente ao prédio da secretaria. Em 2008, a greve chegou a ser declarada, mas a pequena adesão a interrompeu no início. Em 2009, a assembleia geral não aprovou a greve.

Na semana que vem, em busca de mais adesão, os sindicalistas farão “corpo a corpo” com colegas nas escolas. Para a próxima sexta-feira, dia 12, foi convocada nova assembleia geral, desta vez na Avenida Paulista. “Espero que todos parem, mas o pessoal do interior me parece desmobilizado”, diz a professora Catarina Santos.

Além do reajuste, os sindicatos dos docentes pedem o fim do programa de promoção por mérito, que instituiu uma prova para dar aumentos anuais apenas para os 20% mais bem classificados.

CONTEXTO DA DISPUTA

Promoção por mérito – O governo estadual criou programa que dá bônus para até 20% dos professores melhores colocados em uma prova. Mas os sindicatos da categoria alegam que a medida fere a isonomia da classe e brigam na Justiça para derrúbá-la.

Temporários – O Estado aplicou uma prova para servir como critério para a distribuição das aulas aos professores, de acordo com o desempenho. Sindicato tentou na Justiça alterar a ordem da lista para privilegiar os temporários que estão há mais tempo na rede.

RAIO X DA GREVE

Quantos são: 215 mil docentes em atividade

O que afeta: 5 milhões de alunos em 5 mil escolas

O que eles querem: A principal reivindicação é um reajuste salarial de 34,3%

O que o governo oferece: Por ora, diz que “não há condição econômica de pagar um aumento dessa dimensão, o que desorganizaria todos os programas que permitem o funcionamento das mais de 5 mil escolas estaduais”

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One Response to PROFESSORES DECIDEM PARAR

  1. Fabiana disse:

    Por que as categorias classificadas pof f, l. o e tantas outras não estavam em peso na paralização de sexta? nao me venham dizer que estao sendo obrigados a entrar em aula por represalia que essa nao cola. Desde quando que economicamente este aumento de 34%vai ser aprovado? Por que o sindicato nao briga na hora certa? por que vcs deixam para epocas eleitorais e nao em cada vez que se aumenta o minimo? agora vcs vem com essa e ainda por cima piora o relacionamento entre os colegas. Estao todos em pe de guerra pq nao entendem o pto de vista de uns e outros.

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