As trapalhadas politiqueiras do ministro da Educação

Editorial do Jornal da Tarde -7-02-2010- pág.A/2 – Os transtornos causados ao estudantes que se submeteram ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para terem acesso à rede pública do ensino superior exibiram a incúria da burocracia do Ministério da Educação (MEC). Ao tentar converter a reforma dos mecanismos de avaliação em bandeira política, para utilizá-la como instrumento de suas pretensões em disputas eleitorais de cargos executivos este ano, o ministro Fernando Haddad deu com os burros n’água por não dispor em sua Pasta da mínima infraestrutura para dar conta da empreitada.

No começo do segundo semestre do ano passado, quando o MEC decidiu que a inscrição no Enem e a utilização das notas obtidas pelos estudantes no exame para substituir o vestibular deveriam ser feitas pela internet, seu sistema de informática mostrou-se incapaz de desempenhar essas tarefas. Meio ano depois do tumulto provocado naquela ocasião, as dificuldades enfrentadas pelos crédulos que tentam se inscrever pela rede mundial de computadores no Sistema de Seleção Unificada continuam as mesmas, se é que não pioraram.

A ineficiência da burocracia do MEC em planejamento é de tal ordem que seus técnicos não foram capazes de impedir a determinação a vários candidatos para que fossem prestar o exame em colégios localizados a mais de 300 quilômetros dos locais em que se matricularam, causando a revolta de estudantes, pais e professores. Mais grave foi o vazamento da prova dois dias antes de sua realização, deixando clara a incapacidade do governo federal de tomar as devidas medidas de segurança para evitar esse tipo de fraude.

Após tentar transferir a responsabilidade pela ocorrência apenas à gráfica que imprimiu os testes, como se esta não tivesse sido escolhida por eles, os técnicos do MEC prepararam às pressas a nova prova, gastando mais de R$ 30 milhões, aplicada dois meses depois da data prevista, bagunçando o calendário do ensino superior no País.

O desmoralizante escândalo do vazamento não foi suficiente para o MEC evitar outros problemas na nova prova, na qual algumas questões com viés político e ideológico tiveram de ser anuladas. Para completar a lambança, depois de realizada a prova foi divulgado o gabarito errado. E se cometeram absurdos na correção: uma redação de apenas quatro linas obteve boa nota.

Nas mãos de burocratas incompetentes cumprindo missões eleiçoeiras da chefia, a boa ideia de corrigir as deficiências óbvias da seleção pelo vestibular virou um tormento para os estudantes que aceitaram disputar as 47,9 mil em 51 mil vagas em universidades públicas. O resultado inexorável desse fiasco administrativo foi uma abstenção espetacular de quase 40% dos inscritos, recorde desde a primeira avaliação, feita em 1998.

Tudo o que a aventureira ambição política do ministro Haddad tem conseguido com essa sequência de trapalhadas é pôr em risco a credibilidade dos mecanismos de avaliação para democratizar e tornar mais justo o acesso ao ensino supeior.

Bagunça no Enem põe em risco credibilidade de sistema menor de avaliação para acesso à universidade. Professor, deixe seu comentário a respeito!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: