Professor discorda de prova, mas adere

O Estado de São Paulo -29-01-2010-página 18/A

Reportagem Luciana Alvarez

Entrevistada: Profa. Maria Lúcia de Almeida -vice-presidente do CPP

Começa hoje em SP exame que faz parte da promoção salarial por mérito

Por não concordar com os critérios do programa de promoção por mérito da Secretaria da Educação de São Paulo, o professor de Filosofia Eduardo do Amaral decidiu nem se inscrever para a prova. “É uma forma de responsabilizar os professores pelo baixo salário”, criticou.

Mas, mesmo com a polêmica sobre a forma de avaliação e os apelos de boicote dos sindicatos, 140 mil docentes dos 220 mil da rede estadual de educação se inscreveram para o exame, que será aplicado entre hoje e terça-feira.

O novo programa da secretaria concederá a cada ano reajuste salarial de 25% para até 20% dos professores – aqueles que tiverem as melhores notas no exame. Para concorrer à promoção, o professor precisa estar na rede estadual há pelo menos quatro anos, ter poucas faltas, alto índice de permanência numa mesma escola, além de tirar nota igual ou superior a seis na prova. Mas, se não houver verba suficiente, o governo se reserva o direito de promover menos de 20% do quadro.

Em meio a uma disputa política entre governo e entidades de classe, que brigam na Justiça pela anulação do programa, a maioria dos professores prefiriu tentar o aumento, ainda que discorde das regras. “Para ser por mérito de verdade, o programa deveria medir a atuação em sala de aula, e não aplicar uma prova como se fosse um vestibular”, disse a professora Teresa Aparecida de Oliveira, que dá aulas a turmas de primeira e segunda séries do ensino fundamental e vai fazer o exame.

A professora Carolina Maia, do ensino fundamental, gostaria de participar, mas este ano ficou de fora porque trocou de escola. O que mais a incomoda no sistema de promoção, porém, é o limite de 20% de premiados. “Acho importante ter uma prova, mas é injusto com os que tiverem bom desempenho, mas ficarem fora dos 20%”, disse.

Para o Centro do Professorado Paulista (CPP) e o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), mais do que injusto, o programa de promoção é inconstitucional, pois fere a isonomia da classe. “É uma maneira de minimizar despesas com aumento. Vai atingir no máximo 20% da classe, mas o governo alardeia que deu aumento”, afirmou Maria Lúcia de Almeida, vice-presidente do CPP.

Segundo o governo, o programa vai estimular o aperfeiçoamento do corpo docente. “Estamos aplicando as políticas de melhoria de qualidade”, disse o secretário de Educação, Paulo Renato Souza.

 

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