O que fazer com professores reprovados em massa?

Editorial -Jornal da Tarde – 29-01-2010-página 2/A

Estado fica entre manter docentes despreparados dando aulas ou deixar classes sem alguém que lecione

O exame de avaliação imposto pela Secretaria Estadual da Educação aos professores provisórios de sua rede escolar foi, afinal, realizado, apesar da oposição ferrenha do sindicato da categoria, a Apeoesp. Dos 181 mil que se submeteram à prova, preparada pela Unesp, cerca de 88 mil não alcançaram a nota mínima para continuar lecionando. Ou seja, quase a metade dos docentes não acertou a metade das 80 questões. Deve-se levar em conta uma agravante: um quinto da nota final é calculado por uma pontuação proporcional aos anos de serviço dos examinados e muitos dos reprovados já dão aulas. O resultado não poderia ser pior. Para os dirigentes sindicais, que tiveram expostas por ele as verdadeiras razões de sua luta contra a necessidade de avaliar os docentes de cuja educação dependem os alunos que frequentam as escolas estaduais. Para os mestres, cuja incapacidade de ensinar qualquer coisa se tornou patente. E, principalmente, para os estudantes que, sem condições de procurar a alternativa do ensino privado, se veem forçados a dividir a própria ignorância com quem é pago para lhes ministrar conhecimento.

Em situação ainda mais complicada ficam as autoridades encarregadas de gerir a instrução pública, pois na prática não têm alternativa à catástrofe da reprovação em massa na prova de seleção dos temporários imposta em 2008 pelo governador paulista, José Serra, também mestre de ofício. Antes de avaliação se tornar obrigatória por lei aprovada com urgência pela Assembleia Legislativa, os docentes provisórios só tinham de apresentar diploma e comprovação de tempo de serviço na rede escolar para ser contratados. A votação da lei foi antecedida por um teste a que a Secretaria os submeteu com resultados capazes de anteceder o que viria a ocorrer quando o exame fosse aplicado: 3 mil não acertaram nenhuma das 25 questões.

A rede escolar estadual dispõe de 230 mil professores, dos quais de 40% a 50% são provisórios, que não prestaram concurso para entrar no magistério, mas já lecionam há anos, sem jamais terem sido avaliados como estão sendo agora. Numa tentativa de estimulá-los a se capacitar, o governo do Estado anunciou que não recontrataria quem acertasse menos da metade das questões da prova. Os reprovados não seriam demitidos, mas remanejados para postos administrativos. Só que o resultado catastrófico força a Secretaria da Educação a recuar no que prometeu, pois sem os reprovados não terá como indicar professores para todas as classes frequentadas pelos mais de 5 milhões de alunos nas 5,3 mil escolas estaduais. O secretário Paulo Renato Souza encontra-se entre a cruz e a caldeirinha, pois terá de manter os reprovados dando aulas, mesmo sabendo do prejuízo que isso causa ao aprendizado dos alunos, já que mais prejuízo ainda estes teriam se não tiverem professor nenhum, principalmente para as disciplinas nas quais foram constadadas mais dificuldade: matemática e física.

A opção é: “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.”

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