HERODES NÃO INCOMODA NINGUÉM

De olhos arregalados acompanhamos o drama do garotinho com dezenas de agulhas espetadas pelo seu corpinho de pouco mais de dois anos de idade.

Vimos a Folha online, de 30/12, findando 2009, com a denuncia: Uma criança sofre violência a cada duas horas em Alagoas.

A informação nos assusta e nos constrange. Entretanto, o que acontece em Alagoas, nada mais é do que a face de uma violência estampada – e esparramada – por todo o Brasil.

Sofremos as dores de uma extrema desigualdade social. E, como um dos pilares da democracia é a igualdade de oportunidades, o mal começa pela privação do acesso a sistema escolar público de qualidade.

Segundo o promotor da área de direitos humanos do Ministério Público Estadual de Alagoas, Flávio Gomes, “hoje existe uma desestruturação familiar terrível. Num presídio de Maceió constatei que 70% dos presos não foram criados com a presença do pai. Se é de classe média, é criado pela babá. Se é pobre, vive sem o pai, largado na rua. ”  Neste contexto, o papel da escola é determinante.”

A violência que agride, rouba e mata a infância brasileira se mostra de diferentes formas, como prostituição, abandono, exploração do trabalho, infanticídio, lesão corporal, suicídio, tortura e outras tantas manifestações sórdidas de maus tratos.

A banalização da violência – inclusive a doméstica – se tornou parte do cotidiano juntamente com o império das drogas, do álcool e do pânico e da corrupção.

Até mesmo a escola, a mais importante instituição a garantir o acesso à cidadania, é arrombada por uma violência descabida que vitima alunos e professores deixando marcas de uma impune covardia.

É profundamente injusto que diferenças econômicas e sociais sentenciem a vida de uma criança.

Entretanto, só alcançaremos a tão necessária igualdade de oportunidades fazendo da educação uma prioridade federal, e não apenas municipal ou estadual.

Mas, para isso, é preciso banir uma insaciável ganância – que como Herodes mata, como praga destrói – para então, nossos governantes conseguirem, enfim, resgatarem os valores humanitários, éticos e morais.

Um número indecoroso de crianças nasce, sofre e morre sem jamais se tornar cidadão brasilerios.

Hoje, vítima. Amanhã, agressor.

Só a educação é capaz de acabar, de vez, com este círculo vicioso que, quando flagrado, denuncia o lado pérfido de uma sociedade refém do medo, da indiferença e do descaso.

 

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