QUEM QUER SER PROFESSOR?

Por Silvio dos Santos Martins – é Supervisor de Ensino, aposentados, Conselheiro e 3o Vice-Presidente do CPP, e Diretor da Sede REgional da entidade, em Tupã.

Está sendo transmitida pelas emissoras de televisão uma criativa propaganda do Ministério da Educação e Cultura, valorizando o trabalho do professor e, ao seu final, sugerindo “Seja um professor”.

Não se questiona o Ministério pelo esforço que faz no sentido de que os jovens tenham o magistério como opção para sua vida profissional.

Mas, caso desejasse ser transparente e honesto, deveria alertar o incauto telespectador, seguindo os passos do Ministério da Saúde, que “Ser professor pode fazer  mal à sua saúde”. Ou então que “Reger classes ou ministrar aulas causa stress”. Ou mesmo que “Sendo professor, você estará sujeito a uma aposentadoria degradante”.

Enfim, esclarecer nada além da verdade, ou como é a vida do professor.

Curioso notar, contudo, que inexiste qualquer outro comercial incentivando os jovens a optarem pela medicina, odontologia, direito, fisioterapia, etc. Tal propaganda é exclusiva para licenciaturas na área educacional. Talvez porque sejam notórias as péssimas condições de quem ocupa o magistério e os publicitários, sempre tão competentes, consigam perpetrar alguma ilusão.

Melhor seria se a desenvoltura do MEC fosse voltada para a valorização da função de magistério, tanto no aspecto financeiro, como no profissional, exigindo o fim das classes superlotadas, coibindo a violência nas salas de aula, dando condições de trabalho para todos aquele que militam no magistério.

Contudo, é possível dizer que, ao menos no Estado de São Paulo, tal comercial não atingirá seu desiderato.

Afinal, que profissional deseja ser perseguido? A Resolução SE número 68, de primeiro de outubro de 2009, regulamentando a LC 1093 e o Decreto 54682, é um verdadeiro desatino.

Tal legislação é draconiana e caberia somente em um regime ditatorial. Demonstra que na Secretaria da educação impera um total desconhecimento da realidade da rede estadual de ensino, que não possui professores em número suficiente. De fato, o professor contratado, nos termos da LC 1093, será sempre dispensado no final do ano letivo. O referido contrato poderá ser rompido antecipadamente a pedido ou por descumprimento de obrigação legal.

O contrato terá o direito a dois abonos de falta durante o ano, no máximo uma por mês. Terá o limite de três faltas justificadas; todas as demais, consequentemente, serão injustificadas. No decorrer de um ano, poderá ter uma falta injustificada. A segunda implicará na extinção do contrato.

Caso cumpra fielmente o seu trabalho, será vedada nova contratação do docente por 200 dias, excetuando-se os contratados até o dia 17 de julho de 2009. Completando o quadro ultrajante, o governo Serra abre sua caixa de pandora e concede, ao professor que contrair núpcias, apenas dois dias consecutivos de licença. Mas quem pensaria em casar com a remuneração de professor, não é governador?

Mas a metralhadora tresloucada do atual governo não pára por aí. Para a hipótese de falecimento de pais, irmãos ou filhos, o governo concede, como licença por nojo, até dois dias consecutivos. Talvez os membros deste atual governo, desejosos pelo poder, numa ânsia injustificada pelo utilitarismo vazio e inconsequente, não saibam o que venha a ser família. Talvez sua escala de valores despreze a relação familiar. Preferem o poder. Alguém duvida?

Contudo, as barbáries ainda não tiveram fim!

Eis que o PLC 29 teve seu infausto epílogo na madrugada do dia 21 de outubro. Na calada da noite, os deputados da base governista aprovaram esse verdadeiro acinte aos professores.

Seria razoável, então, que o dia 21 de outubro, que marcou a aprovação desse infeliz projeto de Lei Complementar, substituísse o primeiro de abril, consagrado à mentira. Pura falácia, uma brincadeira de péssimo gosto.

Valorizados, mais uma vez, tão-somente os publicitários, que venderão o vexame, o constrangimento, a perseguição e o desprezo governamental pelos profissionais da educação, ativos e aposentados, como forma de valorização do professor. “Seja professor!” Mas não acredite em tudo o que dizem os marqueteiros. Muito menso naqueles que trabalham para o poder.

 

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