Entre a força e a coragem pulsa a vida do Professor

É preciso ter força para esconder os próprios males, mas é preciso coragem para demonstrá-los.

Vivemos um momento de desalento não só pelos parcos salários que recebemos, mas proque a qualificação da escola pública, ansiosamente esperada, fica cada vez mais distante de nossa realidade. Contudo, enquanto você estiver lendo, não vou deixar que esqueça, especialmente hoje, da responsabilidade de todo o professor que dedica seus melhores anos em favor do bem público e do cidadão, ainda que para isso tenha que arriscar a sua própria vida.

É preciso ter força para se defender, mas é preciso coragem para baixar a guarda.

Muitas vezes ignorado – mas de posse de adversidades das mais variadas, o professor ainda se vê obrigado a se render à amargura em ser julgado com adjetivos que põem em dúvida a sua competência, o seu esforço – ma sente que a cada dia fica ainda mais cobrado.

È preciso ter força para ganhar uma guerra, mas é preciso coragem para se render.

Os professores sobrevivem como alvos diários de uma selvageria em seu próprio trabalho que intimida, mutila física e psicologicamente ao impor às vítimas um silêncio mórbido, por meio de covardes ameaças. Mas sou capaz de ver que a educação ainda há de livrar o povo brasileiro de todos os efeitos do colpaso moral que tanto padece.

È preciso ter força para ficar sozinho, mas é preciso coragem para pedir apoio.

São Paulo tem uma rede escolar composta por 5.183 escolas. Dessas, apenas sete, possuem uma qualidade de padrão internacional. Enquanto ouvimos discursos adoçados com promessas políticas – assistimos a violência das ruas atravessar o portão da escola pública a ponto de desconstituir por completo a autoridade do professor.

É preciso ter força para sentir a dor de um amigo, mas é preciso coragem para sentir as própria dores.

O único jeito do Brasil sair do caos que encobre de vergonha um povo digno, trabalhador, que não desiste em mostrar o quanto vale, é valorizar o professor. Entretanto, há ainda, muito por se conquistar para que os professores exerçam seu trabalho com mais estímulo: o reajuste salarial imediato; a incorporação das gratificações com extensão aos professores aposentados; o cumprimento da data-base.

É preciso ter força para suportar o abuso, mas é preciso coragem para fazê-lo parar.

Hoje, os parcos salários, a violência, as precárias condições de trabalho fazem do magistério uma escolha pouco atraente aos jovens. Por isso, é justo garantir ao professor o direito inconstestável de viver e trabalhar em condições dignas e de envelhecer por meio de uma digna aposentadoria.

É preciso ter força para amar, mas é preciso coragem para ser amado.

Conhecedor das mazelas, mas também das experiências de valor inestimável que só o magistério traz, posso garantir que prosseguiremos em nossa busca incessante pela qualificação do ensino público e para a justa valorização do professor paulista.

Se você sente que lhe faltam força e coragem, mire-se em na vida de um professor. Queira Deus que você possa lembrar-se de um e abraçá-lo hoje.

15 de outubro – Dia do Professor

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