A SEMANA DE LUTO E LUTA PELA EDUCAÇÃO

 Como presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP) afirmo que, se olharmos atentamente para as piores mazelas do Brasil, veremos que, de alguma forma, a origem é sempre a mesma: a claudicante qualidade do ensino público.

Para conseguir se manter num país que não os valoriza, os profissionais  da educação se lançam, a cada dia, em um desafio cada vez mais assustador.

Resistências de todos os tipos insistem em nos afrontar – da desumana discriminação aos aposentados ao desrespeito descabido à data-base, e ainda, os humilhantes salários, pagos com o mesmo desprezo de quem dá a um esmoleiro.

O magistério estadual chega ao limite da humilhação. Ninguém dúvida que a violência, a completa falta de infraestrutura e a remuneração afastaram excelentes profissionais e desviaram inúmeros jovens do magistério. Por acaso alguém quer ser professor? Algum pai aconselharia os filhos fazerem magistério?

Hoje um profissional da educação, especialmente da rede pública paulista, vive um angustiante pesadelo.

Pior: a realidade nos aponta um futuro angustiante e sombrio. O magistério assustado, vê o governo enviar um Projeto de Lei à Assembleia Legislativa que, além de iludir a opinião pública, acarretará, se aprovado for, consequências graves à carreira pela discriminação dos profissionais.

Diante deste quadro caótico, é preciso que o governo esqueça as promessas e adote medidas que garantam aos professores, condições necessárias para poderem exercer, com dignidade e paz, a sua missão de ensinar.

Bem sabemos que promessas passam embaladas no profundo sono do descaso. Por isso, o desprezo nos acerta em cheio. A indiferença com que é tratada a política educacional em nosso Estado dói, e muito. Dor que destrói nossa identidade e queima, bem devagar, consumindo o orgulho, o pouco que ainda nos resta, de poder ensinar e conduzir as gerações de brasileiros na edificação de um País bem melhor para todos.

Por este legado, nós, representantes dos profissionais da educação paulista, faremos a SEMANA DE LUTO PELA EDUCAÇÃO – NOS DIAS 13,14, 15 E 16 DE OUTUBRO.

A verdade é que nossos governantes precisam mostrar um compromisso verdadeiro em fazer prevalecer o interesse público. Só assim os profissionais da educação terão a chance de viver e trabalhar em condições dignas. Isso não é utopia, num passado não muito remoto a escola pública prevalecia sobre as outras, e seus profissionais eram tratados como PROFESSORA E PROFESSOR, eram reconhecidos pela sociedade e quando aposentavam viviam seus últimos dias respeitados e dignificados.

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One Response to A SEMANA DE LUTO E LUTA PELA EDUCAÇÃO

  1. Maria das Dores Lima disse:

    Quando os professores vestem-se de luto a chama da esperança e da fé já apagou.Quando as letras e as matemáticas se perdem pouco há para se recuperar num país desse. Aí, né sobra espaço para o desrespeito, para a violência, para a intitucionalização da má-fé e da postura corrupta que se instaura em cada canto da sociedade moderna, sociedade capitalista e de muita tecnologia…Mas não descobriram ainda como produzir vergonha para vender a nossos dirigentes.Mostram-se incompetentes no trato dos bens públicos e a educação o é, estão acabando com essa tarefa e, aí esperar o que?

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