O senado a extinguiu em 2007 – porém, volta e meia ela ameaça atacar o bolso do brasileiro.
É a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, a impopular e temida CPMF.
Mudaram os administradores – agora temos uma “presidenta” – termo exigido pela gestora máxima da nação – entretanto, a temática da tal CPMF continua a mesma e tenta reaparecer em grande estilo.
Como um bloco pré-carnavalesco, os governantes do nordeste, nessa terça-feira (21/02), chamaram nossa atenção ao se reunirem, em Barra dos Coqueiros, Sergipe, para nos brindar com uma novidade: a criação de um novo financiamento para a saúde. A proposta é elaborar um mecanismo com o jeito e molde da velha CPMF.
Não é de hoje que as manobras para a reedição da rejeitada CPMF mostram bem o choque entre as necessidades da nossa gente e os interesses dos governantes.
“Na minha opinião, salvo pequenos avanços aqui e ali, ficaremos mais um período de governo sem a reforma.” Palavra de Mailson da Nóbrega, que já ocupou o cargo de ministro da Fazenda diante do ameaçador retorno do assombroso imposto.
Se essa é a opinião de um experiente especialista, que diremos nós, meros contribuintes?
O brasileiro suplica por menos impostos. O governo anseia por mais tributos. São dias e dias suados, por ano, só para o trabalhador pagar uma conta com apetite insaciável.
O problema é sustentar a máquina pública. Entretanto, a solução ideal não deve mexer no bolso daquele que não aguenta mais a carga tributária que carrega, cujo peso é insuportável.
Por essa razão, é imprescindível que nós, formadores de opinião, estejamos permanentemente atentos a todas as manobras dos nossos governantes acerca dos impostos. Para isso, é preciso lançar luz sobre a inevitável tarefa de se promover uma reforma tributária justa, responsável e transparente.
Para finalizar pergunto: acaso a qualidade da saúde pública algum dia se fez superior com a existência desse tributo?
José Maria Cancelliero é professor e presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP).
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